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Nuances de uma mesma ciência: Como calcular a inteligência de alguém?

Quem, afinal, são as pessoas mais inteligentes da história? Por mais confiáveis que pareçam, os pontos de QI podem não ser a melhor forma de responder essa pergunta. Entenda!

Pamela Malva Publicado em 24/03/2021, às 19h00

Fotografia do físico Albert Einstein
Fotografia do físico Albert Einstein - Wikimedia Commons

Conhecido pela teoria da relatividade, Albert Einstein é um dos pesquisadores mais citados na física moderna e, segundo estimativas, contou com cerca de 160 pontos de QI. Mas, afinal, como descobriu-se o nível de inteligência do teórico alemão se ele não chegou a fazer os testes que temos hoje em dia?

Acontece que, quando falamos do Quociente de Inteligência, entram em pauta questões um pouco mais complexas do que imaginamos. Com a internet, por exemplo, é fácil encontrar testes que prometem definir seu QI, mesmo com resultados pouco confiáveis.

Mas será que a tarefa é tão simples assim? Quando procuramos uma lista das pessoas mais inteligentes da história, podemos encontrar uma relação verdadeira, baseada em testes reais? Segundo especialistas, para que essa busca seja possível, é preciso realizar extensas pesquisas e avaliações, observando diversos parâmetros.

Imagem meramente ilustrativa de pessoa estudando / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Testes especiais

De acordo com a psicóloga Leninha Wagner, por exemplo, a pontuação do QI não deve ser o único critério utilizado para medir a inteligência de um indivíduo. Isso porque "são muitos os testes de inteligência [disponíveis] e para comparar [os níveis de inteligência], seria necessário que todas as pessoas fizessem os mesmos testes”.

Nesse sentido, neurocientistas e psicólogos sugerem outros métodos para medir o quociente de inteligência de alguém, tendo em vista que nem sempre os 180 pontos de QI de determinada pessoa são, necessariamente, superiores aos 160 de outra.

Pensando nisso, muitos sugerem a aplicação do percentil, um método cuja pontuação chega apenas aos 99 — já que todas as pessoas possuem nuances e é praticamente impossível chegar a uma inteligência de 100%.

Imagem meramente ilustrativa de pessoas jogando xadrez / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Nuances e gradientes

No caso de personalidades históricas, contudo, a verificação do quociente de inteligência através de testes torna-se um pouco mais complexa. Então, especialistas sugerem que a trajetória e a evolução da pessoa sejam observadas, e não apenas os pontos de QI.

Quando falamos de Einstein, portanto, é muito mais proveitoso analisar os estudos que ele realizou e as conclusões que ele encontrou, ao invés de seus 160 pontos de QI. É através de tais trabalhos que podemos determinar a exímia inteligência do físico alemão.

Além dele, também é observando cada trajetória em suas particularidades que podemos definir outras personalidades como as mais inteligentes da história. Dessa forma, mesmo sem ter deixado testes de QI para a posteridade, personagens como Aristóteles, Cleópatra, Marie Curie, William Shakespeare e muitos outros poderiam compor a lista.

Imagem vintage meramente ilustrativa da separação das zonas do cérebro / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Inteligência para todos

"As pessoas comparam, é normal, faz parte do instinto humano se colocar no lugar e logo comparar. O parâmetro de entendimento está na base, precisa de uma referência para determinar um todo”, pontua Leninha. Mas também é importante lembrar, segundo a especialista, que determinados resultados podem depender dos testes realizados.

“No Brasil, por exemplo, costuma-se calcular com desvio padrão 15”, enquanto, na Europa, tal índice chega a 24, explica a neuropsicóloga. Os testes e dados, portanto, são diferentes e, por isso, encontramos resultados tão distintos entre as duas regiões.

Se observarmos os percentis de 99, então, podemos criar uma lista diferente da que foi sugerida antes, com nomes como os de Bill Gates, Christopher Hirata, Stephen Hawking, Marilyn von Savant, Fabiano de Abreu, Judit Polgár e Kim Ung-Yong.

No caso dessas pessoas, por mais que seus pontos de QI sejam bastante diferentes, variando entre 160 e 230, todos compartilham os mesmos 99 pontos de percentil. Tal fato, portanto, apenas comprova que, para identificar as pessoas mais inteligentes do mundo, ou até mesmo da história, os cálculos não são tão simples assim.


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