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O Abutre: 5 fatos sobre Wallace Souza, o apresentador que matava pessoas para ter audiência

Símbolo contra a criminalidade, o ex-policial criou o programa que se tornou molde para emissoras de todo o país — e incomodou até a líder.

Wallacy Ferrari Publicado em 19/08/2020, às 11h07

Televisores transmitem sincronizadamente o programa de Wallace
Televisores transmitem sincronizadamente o programa de Wallace - Divulgação / Netflix

Nascido em Manaus, Francisco Wallace Cavalcante de Souza se tornou popularmente conhecido apenas como Wallace Souza, se tornando um símbolo contra a criminalidade no final da década de 1990 e no começo dos anos 2000 no norte do país, devido ao sucesso do programa Canal Livre.

O apresentador bateu recordes de audiência e tornou-se deputado estadual com o apoio popular amazonense, mas seu envolvimento no crime organizado manchou a imagem de sua emissora, equipe e família com casos de crimes produzidos para alavancar a audiência de suas atrações.

Confira 5 fatos sobre Wallace Souza, o apresentador que matava pessoas para ter audiência:


1. Expulso da polícia

Em 1979, Wallace entrou na Polícia Civil pelo estado do Amazonas, por onde ficou durante oito anos, até ser expulso no ano de 1987. De acordo com uma investigação da corregedoria interna, o manauara estava diretamente ligado a um esquema de desvio de combustível. Souza recorreu por anos, tendo a decisão anulada apenas no ano de 2009, quando foi inocentado por uma decisão judicial e reintegrado ao quadro da organização policial.


2. Vencendo a líder

Em 1996, Wallace desenvolveu junto aos irmãos Carlos e Fausto o programa diário Canal Livre, que se tornou um sucesso de audiência nos dois anos seguintes, sempre manifestando indignação contra as organizações criminosas popularmente conhecidas como “galeras”.

Wallace apresentando o programa Canal Livre / Crédito: Divulgação / Netflix

 

O molde policial, posteriormente replicado ao longe de diversas regiões do país, não apenas informava sobre as operações de combate ao tráfico, homicídios e sequestros, como obtinha exclusividade de acesso aos locais dos crimes, incomodando até mesmo a TV Globo.


3. Recordista estadual

Com a constante exposição e fazendo questão de ser um símbolo contra a criminalidade, Wallace lançou, em 1998, sua candidatura para deputado estadual no estado do Amazonas, realizando carreatas, expedições e comícios prometendo o combate ao tráfico e as “galeras”. O apoio popular não apenas surtiu efeito com sua eleição, mas registrou um recorde nunca antes visto no estado; sua eleição contabilizou 51.181 votos. Ainda seria reeleito em 2002 e em 2006.


4. Associação criminosa

Após ser preso em 2008, o ex-policial militar Moacir Jorge Pereira da Costa, conhecido como "Moa", denunciou que diversos crimes envolvendo um esquadrão da morte foram promovidos e mandados por Wallace Souza e seu filho Raphael, de maneira que a equipe de televisão do programa Canal Livre chegasse de maneira antecipada nas cenas dos crimes.

Foto divulgada por Moa com Wallace dentro da piscina de sua mansão / Crédito: Polícia Civil

 

Após se defender por nota, Moa provou ser amigo de Wallace com uma foto do mesmo na beira de uma piscina. Moa era investigado por formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas, crimes que também foram ligados ao apresentador. As acusações resultaram na cassação de seu mandato e mandato de prisão, onde ficou foragido até se entregar, em 9 de outubro de 2009.


5 . Sofrimento nos dias finais

Condenado, Wallace foi libertado devido a gradativa piora em seu estado de saúde. Em Manaus, uma grave doença crônica foi identificada em seu fígado, fazendo o apresentador ser levado para São Paulo para receber tratamento, sem sucesso. Morreu após uma parada cardíaca em 27 de julho de 2010, aos 51 anos. Seu corpo foi levado de volta à Manaus, com um funeral que mobilizou 5 mil admiradores


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