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O impressionante palácio submerso de Cleópatra, a última rainha do Egito

Arqueólogos descobriram ao menos 20 mil artefatos raros e inúmeras estátuas colossais

Isabela Barreiros Publicado em 31/05/2020, às 07h00

Arqueólogo observa uma das estátuas encontradas debaixo d'água
Arqueólogo observa uma das estátuas encontradas debaixo d'água - Divulgação

Cleópatra se tornou uma das mais icônicas figuras históricas. Última faraó do Egito, até agosto de 30 a.C., quando morreu, se tornou famosa por seu poder e conquistas — tanto territoriais quanto amorosas. Devido a sua influência, não é estranho imaginar que fossem construídos em seu governo muitos monumentos que representassem sua grandeza.

Na cidade de Alexandria, a capital do Egito na Época, estava localizado seu palácio. Enorme, como deveria ser, e composto por diversos edifícios construídos em pilares e estátuas, por muito tempo, acreditou-se que ele sido perdido. As teorias eram de que terremotos e maremotos teriam destruído as estruturas decoradas e ricas.

O arqueólogo francês Franck Goddio, porém, encontrou algo que poderia colocar essa ideia em dúvida. Quando descobriu e traduziu textos escritos pelo antigo historiador grego Estrabão, percebeu que talvez esse tesouro ainda estivesse por aí nos dias de hoje.

O filósofo descrevia a cidade de Alexandria e — para a surpresa de todos — uma ilha na costa da capital. De nome Antirhodos, ela seria o verdadeiro lar do enorme palácio da faraó Cleópatra. Foi então que o pesquisador decidiu que encontraria o local perdido e debaixo d'água. Como diriam: a Atlântida egípcia.

A expedição

Crédito: Divulgação

 

Em 1996, uma equipe de arqueólogos subaquáticos começou a procurar pelo palacete. Descobriram, no entanto, que ele estava do lado oposto que Estrabão havia o colocado em seus escritos e mais estranho ainda: não era tão grande assim.

Ele era modesto, entre 90 metros por 30 metros. O piso era composto por mármore do século 3 a.C. e foram encontrados diversos artefatos antigos. Segundo o pesquisador Ashraf Abdel Raouf, envolvido na expedição, foram descobertas "cerâmicas, moedas de bronze, pequenos objetos que agora estão em laboratório e em restauração...objetos notáveis".

O tesouro composto por aproximadamente 20 mil objetos, que continuam sendo descobertos, revelaram mais sobre a história de milhares de anos do Egito. Além disso, estátuas colossais também marcaram a visão dos especialistas ao encontrarem o palácio. Uma delas era feita de granito e representava um governante ptolomaico, provavelmente o pai de Cleópatra, Ptolomeu XII Autletes.

Mais esfinges foram descobertas debaixo d'água: uma delas, gigantesca, representava a deusa egípcia Ísis, da maternidade e da fertilidade. Outra, feita de pedra, é apenas uma cabeça, que os pesquisadores acreditam tratar de Ptolemeu XV Cesarião, provável filho de Cleópatra e Júlio César.

Crédito: Divulgação

 

Raouf afirma que o achado foi impressionante: "muitos restos emocionantes, como colunas, maiúsculas e minúsculas, blocos de granito, muitos objetos. A construção permanece, vamos deixá-lo como parte do fundo subaquático museu para que as pessoas mergulhem nessa área e olhem para ele”.

Eles conseguiram encontrar a estrutura de madeira do palacete da faraó. Utilizando a técnica de datação de carbono, os pesquisadores chegaram à conclusão de que ele havia sido construído pelo menos 200 anos antes da governante nascer. Isso pode indicar que ela não construiu o palácio, mas sim o herdou.

Mas porque o palácio estava submerso?

Os pesquisadores investigaram as possibilidades durante muito tempo. A hipótese mais aceita atualmente é de que alguns séculos depois do fim do reinado aconteceu um terremoto e, como consequência, um tsunami que atingiu a costa da capital egípcia. Teria sido, portanto, um desastre natural que teria causado o afundamento do palácio real.  


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