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Á deriva e sem tripulação: o intrigante caso do navio Mary Celeste

O tempo não esclareceu as especulações levantadas e pouco se sabe sobre o que, de fato, aconteceu com a embarcação

Gabriel Fagundes Publicado em 01/09/2020, às 11h02

Ilustração do Mary Celeste
Ilustração do Mary Celeste - Wikimedia Commons

Foi em 5 de dezembro de 1832 em Açores —um arquipélago português localizado no centro do Oceano Atlântico —, que membros da tribulação Brigada Dei Gratia avistaram um navio à deriva. O capitão da embarcação, David Morehouse, havia encontrado o chamado de  Mary Celeste, que havia saído de Nova York e já deveria ter chegado ao seu destino, a Gênova, na Itália. Mas não chegou. 

Embora Morehouse tenha enviado uma embarcação para verificar a situação do navio, foi relatado algo misterioso: os pertences dos tripulantes ainda estavam em seus aposentos. Além disso, a carga de 1.701 barris de álcool industrial estava praticamente intacta.

Havia um suprimento de comida e água por seis meses, mas ninguém para consumi-lo. O único bote salva-vidas do navio estava ausente e uma de suas duas bombas fora desmontada. Um metro e meio de água afundava no fundo do navio. Tudo muito único para ser normal.

Diante desses motivos, teorias foram criadas visando constituir uma narrativa para o fim de Mary Celeste.  De motins a piratas, monstros marinhos a bicas assassinas, tudo era válido para engendrar uma explanação. Segundo Anne MacGregor, documentarista que iniciou a investigação, escreveu, dirigiu e produziu A Verdadeira História de Mary Celeste: “A ideia sugere mistérios, mas você sempre deve revisitar essas coisas usando o conhecimento que vem à tona".

Pensando nisso, o que sabemos sobre o navio começa na sua viagem de 7 de novembro de 1872, onde navegava com sete tripulantes, o capitão Benjamin Spooner Briggs, sua esposa Sarah e a filha de 2 anos do casal, Sophia.

Gravura de Mary Celeteste / Créditos: WIkimmedia Commons

 

A brigantina de 282 toneladas lutou contra o clima pesado por duas semanas para chegar aos Açores, onde a última entrada do diário de bordo foi registrada às 5 horas da manhã de 25 de novembro. Nada foi declarado após esse evento.

E é nesse hiato que os tripulantes da Dei Gratia apareceram. Depois de dez dias, eles rebocaram o navio por cerca de 800 milhas para Gibraltar, local onde um tribunal britânico convocaria uma audiência de salvamento, que determinaria se os descobridores teriam direito a ficar com o encontrado.

Contudo, o procurador-geral encarregado do inquérito, Frederick Solly-Flood, suspeitou de alguns danos e uma possível trapaça. Passados três meses, o conselho não encontrou evidências de jogo sujo. Eventualmente, eles receberam um pagamento, mas apenas um sexto dos US $ 46.000 pelos quais o navio e sua carga valiam, demonstrando que as autoridades não estavam totalmente convencidas da inocência da tripulação de Dei Gratia.

Em função disso, objetivando desemaranhar esse novelo de causas diversas e incontáveis suspeitas, MacGregor começou perguntando o que de fato poderia não ter ocorrido no naufrágio para que pudesse constituir um enredo claro de seu filme. Desde as condições do navio, que estavam intactas e com carga total, situação que excluía possíveis assaltos de piratas. Também a uma falsa hipótese de uma teoria discutida no século 19 onde dizia que membros da tripulação bebiam o álcool a bordo e se amotinavam.

Outra questão levantada supunha que os vapores de álcool se expandiam no calor dos Açores e explodiam a escotilha principal, levando os que estavam a bordo a temer uma explosão iminente.

Ela observa, porém, que a escotilha da embarcação principal estava segura e não cheirava a fumaça, e nove dos 1.701 barris no porão estavam vazios, mas os nove vazios foram registrados como sendo feitos de carvalho vermelho, não de carvalho branco como os outros. Ou seja, o carvalho vermelho é conhecido por ser uma madeira mais porosa e, portanto, mais propensa a vazar.

No entanto, o navio estava em condições de navegar, ele "não foi inundado ou terrivelmente danificado", diz Phil Richardson, oceanógrafo físico da Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Massachusetts, e especialista em navios abandonados, que MacGregor uniu a sua investigação.

Não obstante, as anotações de Solly-Flood forneceram outra informação que ambos consideraram significativa: um dia antes de chegar aos Açores, Briggs mudou de rumo e seguiu para o norte da ilha de Santa Maria, talvez procurando refúgio. Fora que ele carregava carvão e que construção poderiam sujar as bombas do navio, o que explicaria a bomba inoperante, não seria possível determinar a quantidade de água do mar que havia no casco de seu navio, que estava muito cheio para ele medir visualmente.

Nesse ponto, diz MacGregor, Briggs - tendo passado por um tempo difícil, tendo finalmente e tardiamente avistado a terra e não tendo como determinar se seu navio afundaria - poderia muito bem ter emitido uma ordem para abandonar o navio. Paramos por aqui.  Porque não sabemos do após. Devido ao fato de não temos um acontecido peremptório que determine toda essa história e coloque seus devidos pontos finais, ao contrário, temos apenas reticências...


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