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Odiada por uma nação: Alexandra Feodorovna, a polêmica esposa de Nicolau II

Considerada um mau presságio pela corte e pelo povo russo, a imperatriz foi alvo de boatos e apelidos cruéis por anos

Pamela Malva Publicado em 20/05/2020, às 17h00

Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II
Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II - Wikimedia Commons

Quando deu à luz seu primogênito Nicolau II, a grande imperatriz russa Maria Feodorovna esperava grandes coisas para o futuro do menino. Filho de um czar e herdeiro de um país repleto de tradições, ele teria um destino brilhante.

Ao casar-se, entretanto, o jovem não apenas desafiou os desejos da corte, como também colocou um grande desafio nas mãos da mãe poderosa. Maria agora tinha de lidar com uma nora estrangeira e bastante amarga.

Desde o primeiro momento em que conquistou a coroa, Alexandra Feodorovna nunca foi amada pelo povo russo. Acomodada no trono, entretanto, ela também não fazia questão nenhuma de agradar os súditos de seu marido. 

Alice de Hesse e Reno, mais tarde conhecida como Alexandra Feodorovna / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma princesa por direito

Neta da Rainha Vitória, Alice de Hesse e Reno nasceu em junho de 1872, no Grão-Ducado de Hesse. Sexta entre os sete filhos de Luís IV e Alice do Reino Unido, a menina alegre e sorridente era dona de covinhas gentis que conquistavam a todos.

Em dezembro de 1878, entretanto, com a morte de sua mãe, a criança radiante logo virou uma jovem amarga e solitária. Tornou-se bastante próxima de sua avó e passou grande parte de sua infância viajando entre os palácios da Rainha Vitória.

Aos 20 anos, sofreu mais uma vez, agora com o luto do pai, e assistiu de camarote quando seu irmão, Ernesto Luís, ascendeu ao trono. Já mais velha, resistiu à forte pressão familiar e se recusou a casar com o príncipe Alberto Vítor, Duque de Clarence.

Contrária até mesmo aos desejos da Rainha Vitória, Alice casou-se o czarevich Nicolau II, herdeiro da Rússia. Apaixonados desde 1884, os dois sabiam que deveriam se casar e, assim, a jovem recebeu o nome de Alexandra Feodorovna.

Alexandra e Nicolau II, em 1894 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Vida na corte russa

Nicolau II e Alexandra assinaram o sagrado matrimônio em novembro de 1894. O jovem já era Czar de todas as Rússias aos 26 anos e, assim, a mulher foi coroada como imperatriz da Rússia, em maio de 1896.

Por ter surgido logo após a morte do antigo czar Alexandre III, entretanto, Alexandra foi considerada um mau presságio pela corte russa. Mesmo com seu pouco tempo no trono, a jovem já era odiada por grande parte da elite e do povo.

A nova imperatriz era chamada de petulante, teimosa, provincial e autoritária por todos que a rodeavam. Ao lado do marido, Alexandra não fez qualquer movimento para tentar mudar sua reputação. Ela sequer buscava formar laços com os outros Romanov.

Dentro do palácio, Alexandra tinha olhos apenas para sua bela família, formada por Nicolau II e seus cinco filhos. A imperatriz detestava aparições públicas e, quando seu primeiro filho homem nasceu, sentiu que tinha cumprido seu papel, em agosto de 1904.

Alexandra em suas roupas de enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial / Crédito: Wikimedia Commons

 

Polêmicas irreversíveis

Pouco depois do nascimento de Alexei, descobriu-se que o herdeiro do trono russo sofria de hemofilia, uma condição fatal no início do século 20. Obcecada por uma possível cura, Alexandra se aproximou do homem que mudaria sua vida: o feiticeiro Rasputin.

Muito íntima do amigo curandeiro, a imperatriz passou a ser alvo de boatos sobre uma suposta traição — que nunca foi confirmada — e sofreu com comentários cruéis de um povo rancoroso. A cada dia, Alexandra era mais e mais odiada pelos russos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, servindo como enfermeira, a imperatriz ficou responsável por todo o país, enquanto Nicolau II lutava nas frentes de batalha. Sem qualquer experiência, Alexandra sem querer permitiu que o conflito destruísse o país.

Quando retornou, o czar da Rússia encontrou uma nação devastada. Nos anos que se seguiram, Nicolau II tentou, sem sucesso, reerguer seu império. Com a eclosão da Revolução Russa de 1917, entretanto, o líder foi obrigado a abdicar do trono.

Alexandra, Nicolau II e seus cinco filhos / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim amargo de uma tradição

Ao fim dos conflitos, a Rússia Imperial caiu e deu espaço para um novo regime. Junto com a monarquia, o imponente nome dos Romanov foi destruído e, assim, Nicolau II e sua família foram enviados para Ecaterimburgo.

Uma vez instalados, Alexandra, seus filhos e seu marido tornaram-se alvo de Yakov Yurovsky, um bolchevique leal, chefe de Ecaterimburgo. Com um movimento rápido e autoritário, ele ordenou que toda a família fosse assassinada.

Nas mãos dos rivais, o último imperador da Rússia, seus filhos, a antiga imperatriz e alguns criados foram executados, em julho de 1918. Alexandra Feodorovna morreu aos 46 anos, baleada no canto da cabeça, sem tempo para um último sinal da cruz.


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