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Olhos de vidro e encrustada em ouro: o impressionante sarcófago da rainha Ahmose-Meritamon

A rainha foi esposa e irmã do faraó Amenhotep I, que governou os Reinos do Egito durante a Décima Oitava Dinastia

André Nogueira Publicado em 03/05/2020, às 08h00

Sarcófago de Ahmose-Meritamon
Sarcófago de Ahmose-Meritamon - Museu Egípcio

Esposa do faraó Amenhotep I, a rainha egípcia Ahmose-Meritamon foi uma das primeiras de relevância na 18ª Dinastia, que governou no Reino Médio. Tradicional no Egito Antigo, ela também era irmã do marido, vivendo pouco tempo antes de ser enterrada e mumificada na necrópole de Deir el-Bahari.

Meritamon era a principal responsável pelas relações entre a Família Real e o alto divinato, tendo como cargo a famosa posição de Esposa de Amon, que era o deus de culto de sua mãe Nefertari. Também era a principal esposa de Amenhotep, ou seja, a Grande Esposa Real.

Deir el-Bahari / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por sua relação com Amon, uma estátua de sua representação em calcário foi descoberta no complexo do Templo de Karnak, em Tebas, que era dedicado às celebrações de alguns deuses, em especial Amon e sua forma Amon-Rá, que era o mais próximo protetor do faraó.

Também foram encontradas representações suas em iconografias futuras, principalmente como Senhora do Ocidente na Vigésima Dinastia, o que demonstra relevância dela na memória imperial palaciana.

Reprodução de painel na tumba de Ahmose-Meritamon, com representação de reis e rainhas do passado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sua múmia foi encontrada em 1930, numa tumba catalogada como TT358, durante as escavações de uma comissão estadunidense comandada pelo arqueólogo Herbert Eustis Winlock. Seu sepultamento foi consideravelmente simples, com dois caixões de madeira e um invólucro de papel, repleto de demonstrações de que teria sido violado.

Acontece que seu sepultamento foi aberto por saqueadores, mas seu corpo retornou ao lugar de descanso após padres a encontrarem e a enterrarem novamente. Estudos contemporâneos revelaram que a mulher morreu jovem após ser vítima de doenças ósseas, como escoliose ou atrite.

Múmia envolvida em panos / Crédito: Museu Egípcio

 

Atualmente, seu sarcófago que se encontra no Museu Egípcio, importante instituição acadêmica do Cairo, tem mais de 3 metros de comprimento, feito em tábuas de cedro confeccionadas com maestria e uniformidade. Foi também esculpido e passou por procedimentos de conservação e prestígio, como a incrustação de seus olhos e sobrancelhas no vidro.

O trabalho artesanal na parte externa criou uma textura única de penas, pintadas de azul no processo de união das tábuas e, ainda, caracterizado pelo ouro, em uma determinação de prestigio e riqueza da rainha. O caixão interno também foi coberto por ouro e preservado com cuidado.

A parte externa do sarcófago / Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com a documentação, Ahmose-Meritamon foi embalsamada sob cuidado do sacerdote principal de Amon, Pinedjem I, cuja linhagem teve grande relevância nos ritos funerários da época. O linho usado no enterro da rainha foi produzido por seu filho e também sacerdote Mashaharta, dedicado a Amon.


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