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Vênus de Milo foi substituída por uma cópia para enganar os nazistas em 1940

Encontrada há exatos 199 anos, os franceses fizeram de tudo para que a relíquia não fosse parar nas mãos de Adolf Hitler

Redação Publicado em 08/04/2019, às 07h00 - Atualizado às 09h00

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No dia 8 de abril de 1820, o camponês Yorgos Kentrotas encontrou uma exuberante estátua de mármore nas ruínas da Ilha de Milos, na Grécia. Medindo dois metros de altura e pesando 900 quilos, a escultura logo chamou a atenção: os seus braços estavam quebrados. Kentrotas havia encontrado a Vênus de Milo, uma das figuras mais singulares da humanidade.

A famosa estátua da Vênus, que representa a deusa Afrodite,  foi esculpida entre os séculos 3 e 1 a.C. por um autor desconhecido. Mais ou menos desde a época que foi encontrada por Kentrotas, está exposta no Louvre, em Paris. E foi no museu que a figura passou por um dos episódios mais insólitos da História.

Durante a ocupação nazista em Paris, os soldados alemães aproveitaram a estadia para explorar a cultura da Cidade Luz. Os nazistas conferiram a vista da Torre Eiffel, conheceram as gárgulas da catedral e espiaram a Mona Lisa e a Vênus de Milo. Quer dizer… mais ou menos.

Hitler em Paris no ano de 1940 / Wikimedia Commons 

No entanto, a Vênus que os nazistas viram durante a ocupação não era a original, trabalhada no mármore. Tratava-se de uma cópia fajuta, feita de gesso. Os franceses não queriam que uma relíquia tão importante quanto aquela sofresse nenhum dano causado pelos Panzers alemães. Muito menos que fosse parar nas mãos de Hitler. A Vênus verdadeira estava bem escondida em uma sala secreta do Castelo de Valençay.

A preocupação fazia sentido. Não é segredo que Hitler curtia obras de arte. Ele não estava sozinho. Hermann Göring, o braço direito do führer, também tinha muito interesse no tema. Entre 1941 e 1944, os nazistas se apropriaram de 203 coleções de arte particulares, a maior parte pertencentes a famílias judias dos países que ocuparam. (...) A ideia de Hitler era construir, com essas obras, um museu em Linz, na Áustria. Göring tinha um objetivo diferente: ele queria ser o maior colecionador de arte da Europa.

Durante o Julgamento de Nuremberg, que colocou nazistas diante de seus crimes depois da guerra, um outro réu, Hans Frank, afirmou: “Se Göring tivesse dedicado mais tempo à Luftwaffe (Força Aérea Alemã) e menos tempo ao saque de obras de arte, talvez não estivéssemos aqui hoje”. (...) E o que aconteceu com a Vênus, afinal? Nada.

A estátua original no Louvre / Wikimedia Commons 

Ninguém percebeu que a que estava no pedestal no Museu do Louvre todo aquele tempo era uma réplica. E, mesmo que não tenham percebido, ao que parece, nenhum nazista moveu um dedo para tirá-la de lá. Em 1945, depois que os Aliados libertaram Paris das mãos de Hitler, a peça original voltou para o seu lugar.


Parte do texto desta reportagem foi extraído do livro História Bizarra da Segunda Guerra Mundial, Otavio Cohen, Editora Planeta.