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Pony, a orangotango que era usada como escrava sexual na Indonésia

Prostituída forçadamente, a macaca chegava a ser depilada em suas partes íntimas e enfeitada com jóias

Wallacy Ferrari Publicado em 23/04/2020, às 12h52

Uma foto de Pony ainda no bordel (à esq.) ao lado de uma foto onde está já recuperada (à dir.)
Uma foto de Pony ainda no bordel (à esq.) ao lado de uma foto onde está já recuperada (à dir.) - Divulgação/Borneo Orangutan Survival Foundation

A ilha de Bornéu na Ásia é conhecida mundialmente pelas fazendas de extração de óleo de palma, além do baixo custo de trabalho. Também conhecida como a ilha das florestas sacrificadas, o esforço da mão de obra barata resulta em práticas sub-humanas em bairros suburbanos. Um destes casos surpreendeu o mundo há 17 anos, com a descoberta da orangotango Pony.

Em um prostíbulo, Pony foi localizada em 13 de fevereiro de 2003 com seus cabelos corporais cortados, além de ausência de pelos ao redor de suas partes íntimas. Coberta de picadas de pernilongos, a mesma estava com o corpo cheio de acessórios, como joias, maquiagem no rosto e fitas, além de estar com um forte cheiro de perfume.

A denúncia anterior levava ao local, mas não apenas indicava o animal como um mascote; Pony era usada como objeto de troca para favores sexuais. Diariamente, a orangotango era estuprada por homens com o dobro de seu tamanho, que, sem dinheiro para ir a uma casa de prostituição convencional, pagavam uma quantia baixa ao bordel para realizar atos sexuais com trabalhadores locais.

Além de debilitada e machucada, Pony foi encontrada em uma cama, com os braços acorrentados. “Foi horrível. Ela era escrava sexual - era grotesco '', disse Michelle Desilets, diretora da Borneo Orangutan Survival Foundation UK quando Pony foi resgatada. Seu cabelo, raspado há cerca de dois dias antes do resgate, causava diversas irritações em sua pele, além de diversas feridas pela dificuldade em se manter parada com a tentativa.

Acompanhada de 35 policiais armados, a milícia local relutou em entregar Pony e deixar o local, ameaçando as autoridades com armas de fogo e facões. A instituição que a recolheu acredita que seu preço foi de menos de 10 mil libras, mas desconfiam que a mesma tenha sido simplesmente removida de seu habitat natural e forçada a aderir as práticas sexuais.

Pony se alimentando numa jaula, em 2013 / Créditos: Borneo Orangutan Survival Foundation

 

A recuperação

Por mais que os estupros tenham sido interrompidos, Pony tinha dificuldades em confiar nos seres humanos. Inicialmente, não se alimentava com a comida dada pela ONG e aparentava se esconder sempre que algum humano tentava a examinar. Não apresentava comportamento agressivo, visto que seus antigos donos a convenceram que os humanos são invencíveis usando técnicas de violência indefensáveis.

Pony foi então levada para Nyaru Menteng, no centro da área de Kalimatan. Rodeada de uma reserva natural imensa, foi colocada em uma espécie de ‘escola florestal’, onde convivia com outros animais em um ambiente propício, mas sempre supervisionada pelos membros da ONG. Com o cuidado atencioso, aprendeu a se recolher de maneira regrada as jaulas, sem apresentar desconfiança.

Após dois anos de cuidado na reserva, os pesquisadores concluíram que a mesma já estava próxima de ser devolvida para a natureza, visto que já conseguia ter um convívio saudável com outros bichos. Porém, um problema de sobrevivência assustou ainda mais a equipe. Apesar de socializar, a mesma não sabia procurar alimentos e seu alcance e competitividade eram limitados, dando a entender que a mesma foi pega ainda quando filhote e prostituída desde então, sem tempo de desenvolver tais habilidades.

Em um trabalho intenso, Pony só conseguiu apresentar resultados eficazes para o convívio na natureza em 2013, dez anos depois de ser resgatada, mas, em decorrência da falta de prática, foi inserida na floresta e retornou ao instituto por cinco vezes, sempre para tratar lesões e problemas de alimentação, como desnutrição. O problema maior foi resolvido: o animal não tem medo de ser recolhido e reconhece os tratadores como humanos companheiros.


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