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Por que os brasileiros estão tão incomodados com os filmes sobre o caso von Richthofen?

Daniel Bydlowski discorre sobre a polêmica em volta dos longas e explica que existe 'preconceito do próprio brasileiro quanto às produções nacionais'

Fabio Previdelli Publicado em 09/05/2021, às 10h00

Suzane von Richthofen é interpretada por Carla Dias, e Daniel Cravinhos, por Leonardo Bittencourt
Suzane von Richthofen é interpretada por Carla Dias, e Daniel Cravinhos, por Leonardo Bittencourt - Stella Carvalho

Desde que foram anunciados, em meados de 2019, os filmes sobre o caso von Richthofen — “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou meus Pais” — gerou grande expectativa por parte dos amantes do cinema nacional. Por outro lado, as produções também ganharam uma enxurrada de críticas. 

Porém, quando longas estrangeiros com narrativas semelhantes são lançados por aqui, a receptividade é totalmente diferente da mostrada por esse segundo grupo. Afinal, esses filmes são considerados superproduções e até mesmo dignos daquelas sessões especiais de final de semana.

Mas por que isso acontece?  

“Acredito que existe muito preconceito do próprio brasileiro quanto às produções nacionais”, diz o cineasta brasileiro Daniel Bydlowski, mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos, e colunista do site do Aventuras na História. “Acontece muito isso com comédia, por exemplo, as pessoas insistem em parar em 1930 e acham que todo nacional é chanchada". 

“É uma quebra de paradigmas, acredito nas produções nacionais, e as séries estão cada vez mais mostrando isso, que o brasileiro tem sim seu espaço na indústria cinematográfica”, completa. 

Para Bydlowski, ainda existe o fator identificação, ou seja, o crime que acontece lá fora, às vezes, não gera tamanha comoção se comparado com os que acontecem por aqui. “As tragédias mais perto de nós, sempre são mais impactantes e queremos bloquear”. 

Séries documentais podem favorecer

Porém, um outro ponto também pode influenciar essa receptividade por parte dos brasileiros: o formato da produção. No Prime Video, da Amazon, por exemplo, há a série Investigação Criminal.

A produção mostra detalhes dos crimes e das investigações, dissecando esses casos em uma levada documental, contudo, vale lembrar que as duas produções sobre o tétrico caso se baseiam apenas no julgamento dos condenados, deixando de lado suposições ou boatos. Ou seja, tudo registrado se baseia na realidade. 

“Não dá para saber exatamente o que se passa na cabeça das pessoas que não querem que a produção vá para frente”, justifica. 

Apesar das polêmicas, o cineasta acredita que casos como esse podem se tornar produções cinematográficas futuras, já que esses crimes ganham uma grande proporção e se tornam assuntos muito recorrentes. “Temos muitos exemplos pelo mundo, desde o Massacre da Serra Elétrica e o Bandido da Luz Vermelha, aos mais ‘polidos’ Zodíaco e Terra de Ninguém”. 

Elenco principal durante as filmagens / Crédito: Stella Carvalho

 

“As pessoas gostam desses filmes, simpatizam com muitos dos assassinos, como no caso de Hannibal, que apesar de ser inspirado levemente, ele existiu de verdade. Por isso que existem, se não houvesse a demanda, não teria o produto”, reflete.  

Apesar de todo o aparente 'preconceito', Daniel Bydlowski acredita que, com o tempo, temas assim vão se tornando mais aceitos pelo público.

“Creio que muitas pessoas vão ver o filme, assim como compraram os livros sobre o tema. Podem reclamar, mas é arte e ela pode retratar de maneira doce ou cruel tanto a realidade como a fantasia”. 

Também vale destacar que, ao contrário do que muitos especulam, os filmes não tem ligação pessoal com os envolvidos no caso. Por ser baseado em depoimentos, os condenados não receberão dinheiro algum pela produção.

“Tudo é uma questão de costume, conforme as produções aparecem, o público se adapta e começa a consumir, é assim com moda, educação e tecnologia”, conclui.

Diante da pandemia do novo coronavírus, a “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou meus Pais” ainda não tem uma data de lançamento oficial, conforme informado pela Galeria Distribuidora, que é coprodutora do filme, junto com a Santa Rita Filmes. 

Em entrevista exclusiva ao site do Aventuras na História, o diretor Maurício Eça contou sobre a ideia de fazer duas produções distintas e a importância de trazer o assassinato cruel para as telonas.

“Esse crime segue ocupando espaço na mídia e repercutindo há quase 20 anos. Discutir esse assunto e entender de alguma forma como a mente humana se comporta é importante. Assim como debatermos esse fato é fundamental para que ele nunca seja repetido”.

Leia a entrevista completa aqui


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