Matérias » Paleontologia

Predadoras de 2,4 metros: Phorusrhacos, as antigas "aves do terror"

Velozes e com bicos parecidos com pontas de ganchos, essas assustadoras aves quebravam os ossos de mamíferos só de jogá-los no chão — mas elas também tinham uma desvantagem e tanto

Vanessa Centamori Publicado em 22/08/2020, às 08h00

Ave do gênero Phorusrhacos
Ave do gênero Phorusrhacos - Divulgação/Jaime Chirinos/SPL

Se você entrasse em uma máquina do tempo e surgisse na Argentina de 9 milhões de anos atrás, um bom conselho seria ficar bem longe das aves Phorusrhacos — uma das predadoras terrestres dominantes daquele período, na América do Sul.

Conhecidas hoje como "aves do terror", o comportamento dessas criaturas condiz com o nome: esses pássaros podiam perseguir mamíferos e lagartos em alta velocidade, torturando a presa com bicadas e patadas — tudo isso, somado à pressão de suas fortes garras. 

Outro método de eliminar a vítima era simplesmente pegá-la com o bico e atirá-la no solo com força. Só a brutalidade desse golpe já servia para quebrar os ossos de pobres mamíferos, facilitando que eles pudessem ser engolidos pelas Phorusrhacos. As aves, por sua vez, saboreavam o lanchinho usando suas garras para arrancar partes grandes demais para engolir.

Ilustração de ave do gênero Phorusrhacos / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Características

O terror das Phorusrhacos vinha não apenas da habilidade de caça, mas também do fato desses pássaros serem verdadeiros grandalhões. Mediam quase 2,4 metros de altura e pesavam tanto quanto um avestruz macho: cerca de 130 quilos. 

Além disso, o bico desses animais era grande e fortemente curvado, parecendo uma ponta de gancho. Tal característica é comum em aves carnívoras, já que a seleção natural deu um jeito de adaptar uma excelente ferramenta para bicar as presas. 

Curiosamente, os pesquisadores identificaram esse bico por meio de pássaros atuais da América do Sul, conhecidos como seriemas (Cariamidae). Ao que indicam as estruturas, os pássaros atuais são os parentes vivos mais próximos dos antigos "pássaros terroristas", tais como os Phorusrhacos. Muitos paleontólogos acreditam até que as aves pré-históricas comiam igualmente como as mais modernas, porém, em escala muito maior. 

A origem do terror

Segundo conta a BBC, diversas "aves terroristas" se instalaram por uma supremacia na América do Sul que durou quase 60 milhões de anos. O tempo como predadores terrestres ocorreu após a extinção de dinossauros, como o Velociraptor e o Tyrannosaurus rex

No período do terror, um total de 17 espécies com bicos letais surgiam e depois de extinguiam. Causavam o caos, principalmente entre os bandos de mamíferos herbívoros. Algumas das aves tinham até pés semelhantes aos T-rex e ainda o bico de gancho capaz de remover a medula espinhal de um cavalo com um só golpe. 

Crânio de Phorusrhacos / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Como são múltiplas as criaturas que viveram na pré-história, alguns pesquisadores cogitaram até que as Phorusrhacos faziam parte de outro gênero de aves, as Titanis. Os dois gêneros são realmente muito semelhantes, porém, descobriu-se que as Phorusrhacos não tinham pescoços tão curtos e seu suporte para o crânio é mais leve do que os pássaros do outro gênero. 

Descoberta

O primeiro registro de uma ave Phorusrhacos é do ano de 1887. Na ocasião, o paleontólogo Florentino Ameghino foi até as chamadas Formações Santa Cruz, na Argentina. Entre os ossos encontrados estavam um pedaço de uma mandíbula da "ave do terror", que hoje pertence ao Museu de La Prata. 

No mesmo ano, o pesquisador também descobriu uma espécie desse gênero de ave, que chamou de Phorusrhacos longissimus. Desde então, partes de outras espécies dessas aves assustadoras foram encontradas em várias formações argentinas, como a de de Monte León. 

Desvantagens 

Apesar da fama de aterrorizante, o que é muito curioso é que as Phorusrhacos não podiam voar. Suas asas tinham tamanhos bem pequenos, que as impediam de ter a aerodinâmica necessária para os voos. 

Além disso, as asas possuíam ganchos afiados, que eram muito melhores para agarrar durante a caça. Há registros ainda de que os bicos, somados à tais estruturas, eram usados entre as próprias aves para lutarem entre si. 

Brigas à parte, o foco dessas predadoras no fim das contas eram sempre as presas. Principalmente os mamíferos terrestres, que não podiam escapar pelo céu. Pois imagine só: se todos esses animais voassem, elas passariam grande fome. Não só elas, como também as outras aves assustadoras que não voavam no período, como as Titanis, Kelenken e as Brontornis.


Saiba mais sobre o tema por meio das obras da Amazon:

Titanoboa: Journey To The Amazon, de P.K. Hawkins (2017) - https://amzn.to/2BUDvcK

A expressão das emoções no homem e nos animais, de Charles Darwin (2009) - https://amzn.to/2HC1Ljl

O terceiro chimpanzé: A evolução e o futuro do ser humano, de Jared Diamond e Cristina Cavalcanti (2011) - https://amzn.to/39SNoEB

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W