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A profecia de Thomas Malthus que voltou para ele mesmo — da pior maneira possível

Ao prever que a população mundial cresceria desordenadamente, o economista inglês não imaginou que a afirmação afetaria o seu legado

Isabela Barreiros Publicado em 10/02/2020, às 15h33

Thomas Malthus
Thomas Malthus - Getty Images

O economista inglês Thomas Malthus escreveu que, sempre que houvesse um suprimento de alimentos adequado, a população explodiria até que a comida se tornasse insuficiente, voltando então ao equilíbrio por meio de fome, doenças e guerra. Suas profecias macabras, porém, acabaram não se realizando. 

Sua tese de que a expansão da população mundial estaria fadada à fome e a desastres provou-se errada. Dois séculos depois, podemos afirmar, com certeza, que tais ideias estavam completamente equivocadas. Porém, no que diz respeito à vida pessoal de Malthus, uma irônica contradição pôde ser observada.

De acordo com a historiadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, Emma Griffin, "quando você tem uma sociedade industrial, a conexão entre o tamanho da população e os recursos naturais é interrompida, de modo que não dependemos de nossa própria agricultura para nos alimentar". A Revolução Industrial seria uma das maiores causas para o erro de Malthus. 

Como previa que a população mundial cresceria dramáticamente, o economista não previu o fim de sua própria família, com sua linha genealógica chegando ao fim não muito depois de sua morte. Sua única filha sobrevivente, Emily, morreu por volta de 80 anos depois da publicação de seus escritos.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1804, o inglês casou-se com sua prima, Harriet. Os dois tiveram três filhos: Lucy, Henry e Emily. A primeira morreu aos 17 anos, sem deixar herdeiros; Henry, aos 78 anos, mas também sem filhos; e a última, Emily, aos 79 — como você pode imaginar, não deixou nenhum sucessor. 

Sua própria linhagem direta não teve um futuro próspero. Genealogistas denominam tal situação como uma linha direta “extinta”, quase o contrário do que imaginou Malthus em suas teses de crescimento populacional. 

Os herdeiros do economista faleceram, todos, devido a causas naturais. O motivo de nenhum deles ter deixado filhos é um mistério para os estudiosos. Uma hipótese é de que eles tenham tido crianças que morreram na infância, mas não há maiores evidências que apoiem tal suposição. 

"O que é triste e um pouco surpreendente é que nenhum de seus filhos produziu um neto. Nos dias que antecederam a contracepção totalmente acessível e eficaz, houve um número maior de gestações, mas, por sua vez, um número elevado de casos de mortalidade infantil", explica Else Churchill, da Society of Genealogists de Londres. 

Contrariando sua tese e provando como o crescimento populacional é quase imprevisível, a linhagem de seu único irmão, Sydenham, cresceu normalmente, diferente do que aconteceu em seu caso. O tataraneto de Sydenham vive na Nova Zelândia e é o mais próximo de sangue de Malthus. 

"É irônico que ele tenha sido a pessoa que cunhou a implosão da população e que sua própria linha direta desapareceu logo depois”, disse o genealogista Mark Bayley, co-diretor do Thegenealogist.co.uk, que encontrou o descendente mais próximo do economista inglês. 


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