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Quando uma privada afundou o submarino nazista

Durante a Segunda Guerra, a dor de barriga de um capitão alemão levou à destruição de seu U-Boat

Redação Publicado em 20/06/2019, às 00h00

Privadas submersas
Privadas submersas - Getty Images

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha. Sua missão era afundar qualquer coisa que pudesse.

A guerra estava perdida — antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos como os dos aliados. A descarga era direto na água.

Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que estivesse disponível — num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel. 

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O lado bom é que o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão. O lavabo podia ser usado a qualquer profundidade, já que tinha um sistema de válvulas complexo. Tecnológico até demais, era tão complicado que exigia treinamento específico. 

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto — o que, agora, era o menor dos problemas.

Um banheiro de submarino como o do U-1206 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro — tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir. 

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados.

No final, a dor de barriga do capitão — que veio na pior hora — levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio. Por outro lado, ele conseguiu evitar que os aliados copiassem a magnífica tecnologia de banheiros alemã.


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