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Matérias / Arte

Raio-que-o-parta: Sesc São Paulo apresenta exposição inédita

A mostra integra o projeto Diversos 22, que celebra o centenário da Semana de Arte Moderna e o bicentenário da Independência

Redação Publicado em 06/02/2022, às 08h00

Obra de José Antônio da Silva - Divulgação/ Sesc de São Paulo
Obra de José Antônio da Silva - Divulgação/ Sesc de São Paulo

Entre os dias 16 de fevereiro e 07 de agosto de 2022, o Sesc São Paulo apresenta, na unidade 24 de Maio, localizada no centro da capital paulista, a exposição inédita Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil.

Com curadoria dos pesquisadores Aldrin Figueiredo, Clarissa Diniz, Divino Sobral, Marcelo Campos, Paula Ramos, Raphael Fonseca e consultoria de Fernanda Pitta, a mostra integra a ação em rede do Sesc São Paulo, Diversos 22 — Projetos, Memórias, Conexões, em razão das efemérides do centenário da Semana de Arte Moderna e do Bicentenário da Independência do Brasil.

Com o objetivo de refletir criticamente sobre essas datas, analisando-as em contextos históricos sobre a modernização do território brasileiro, o que simbolizaram no passado e o que mobilizam no presente, a mostra traz cerca de 600 obras de 200 artistas, como Lídia Baís, Mestre Zumba, Genaro de Carvalho, Anita Malfatti, Tomie Ohtake, Raimundo Cela, Pagu, Alberto da Veiga Guignard, Rubem Valentim, Tarsila do Amaral, Mestre Vitalino, dentre outros, com visitação livre e gratuita até 07 de agosto de 2022.

O título da exposição é inspirado por um estilo arquitetônico encontrado em fachadas de casas antigas de Belém (PA). A justaposição de azulejos quebrados formando desenhos geométricos, angulados e coloridos, que lembram setas, bumerangues e raios são conhecidos como “raio-que-o-parta”.

O modismo desta arquitetura não se restringiu às elites locais da década de 1950, sendo logo apropriado por outras camadas da sociedade que popularizaram as fachadas raio-que-o-parta pelos bairros daquela cidade, como forma de modernizar o que era considerado obsoleto nas artes.

“América do Sul”, de Joaquim do Rego Monteiro (1927) / Crédito: Coleção Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães - MAMAM

Ao articular a noção de modernidade com o território brasileiro, a exposição Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil pretende repensar a centralidade do evento de 1922 que ficou marcado na história da arte no país, a partir de uma ampliação não apenas cronológica, mas também geográfica.

Trata-se de um projeto que deseja mostrar ao público que arte moderna já era discutida por muitos artistas, intelectuais e instituições de Norte a Sul do país, desde o fim do século 19 até meados do século 20.

A intenção da exposição, ainda, é expor diversos tipos de linguagens e formas de criar e compartilhar imagens nesse período. Além de desenhos, pinturas e esculturas, o projeto traz exemplos importantes de fotografia, cinema, revistas ilustradas, música e documentação de ações efêmeras, essenciais para ampliar a compreensão das muitas modernidades presentes no Brasil.

Para o diretor do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, a instituição realiza esta exposição no âmbito de sua ação em rede Diversos 22: Projetos, Memórias, Conexões, que coloca em pauta não somente a Semana de Arte Moderna de 1922, mas também a Independência do Brasil em 1822.

"Refletir sobre esses marcos implica conjugá-los às urgências do agora; por isso a busca por contemplar o que extrapola o ambiente paulista, visibilizando outros legados. A questão principal perpassa a construção de perspectivas que possibilitem pensar o país de forma diversa e complexa, com suas contradições e potências, vertendo-as em recursos propositivos", narra o diretor.

Obra de Aurora Cursino Santos / Crédito: Museu Osorio Cesar

A exposição, portanto, leva ao público a certeza de que a noção de Arte Moderna, no Brasil, é tão diversa quanto as múltiplas culturas, sotaques e narrativas que compõem um país de dimensão continental. Para tanto, o trabalho dos sete pesquisadores e curadores da mostra foi dividido em quatro núcleos, que propõem uma imersão no espaço e no tempo histórico e social das artes modernas brasileiras.

O título de cada núcleo, assim como da própria exposição, faz alusão às manifestações artísticas existentes no país. São eles: ‘Deixa Falar’, ‘Centauros Iconoclastas’, ‘Eu vou Reunir, Eu vou Guarnecer’ e, por fim, ‘Vândalos do Apocalipse’.

Esses quatro núcleos desafiam a versão canônica de uma modernidade paulistocêntrica. Se o raio há de partir, conforme título dado à exposição, que seja para trazer à tona as distintas ficções da modernidade, oferecendo ao público presente um contexto diverso e heterogêneo da arte moderna brasileira.

As obras que compõem o espaço expositivo, com cerca de 1.300m², foram cedidas por mais de 100 instituições e colecionadores brasileiros, entre eles a Pinacoteca do Amazonas, o Mamam de Recife, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC da USP, o MAR-RJ, Masp, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte de Belém, Museu Antropológico da UFG e o Museu de Arte da UFSC.

No espaço expositivo da unidade 24 de Maio serão oferecidas, ainda, atividades em ambiente virtual e ações educativas presenciais com arte-educadores e pesquisadores que estão em constante diálogo com as produções artísticas brasileiras. A mostra contará com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, vídeoguia em libras, recursos táteis e textos traduzidos para os idiomas português, inglês e espanhol.