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Rolling Stone entrevista: Guinga reflete como o importante da vida não é grana ou fama - é ser fiel a si mesmo

Humilde e bem humorado, o artista conversou com a Rolling Stone Brasil sobre o projeto Guinga e as Vozes Femininas

LARISSA CATHARINE OLIVEIRA | @WHOSANNIECAROL Publicado em 18/10/2020, às 09h00

Guinga se apresenta no CCBB do Rio de Janeiro
Guinga se apresenta no CCBB do Rio de Janeiro - Renato Mangolin

O cantor, compositor e violonista Guinga completou 70 anos em junho. Nome pouco conhecido do público, mas reconhecido pela crítica e pares da MPB, o carioca é o tema de uma nova série musical realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.

A programação de Guinga e as Vozes Femininas, inicialmente idealizada para ocorrer presencialmente no CCBB, entre março e maio, foi interrompida pela pandemia e retornou virtualmente com a homenagem ao repertório do grande Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar. 

Humilde e bem humorado, o artista conversou com a Rolling Stone Brasil sobre o projeto, que teve início no dia 8 de outubro e segue com agenda no formato online até 12 de novembro. Guinga participa de todas as transmissões, cada uma com diferentes repertórios da obra do homenageado, com participação de cantoras e músicos convidados. 

Dois shows foram realizados no teatro do CCBB, no fim de março, e estão disponíveis na íntegra no canal do Centro Cultural. Apesar de sentir falta dos shows convencionais, Guinga está satisfeito por tocar no período de isolamento, e reconhece a potência das apresentações virtuais como um formato promissor. “A vantagem das lives é atingir um público muito maior”, comenta. “É uma nova forma de comunicação do artista que deve continuar e prosseguir de alguma maneira futuramente”. 

Guinga é um gênio, compositor e violonista excepcional, e dono de uma voz singular. A identificação de Guinga com as vozes femininas é algo que lhe é bastante característico e que vem de há muito tempo: ele aprendeu a tocar violão acompanhando o canto da mãe, e desde os anos 70, tocou primeiro com Clara Nunes e Elis Regina e, depois, com Elza Soares, Nana Caymmi, Alaíde Costa, Zezé Gonzaga, Miúcha, Maria João, Leila Pinheiro e Mônica Salmaso, por exemplo”, elogia a artista visual e cineasta Fernanda Vogas, idealizadora do projeto, em nota.

Além das parcerias mais antigas, como Leila Pinheiro, colaboradora do músico desde 1980 e intérprete de “Catavento e Girassol”, primeira artista a gravar um álbum completo com composições do violonista e Aldir Blanc; e Ana Carolina, com quem gravou “Leveza de Valsa” para a trilha sonora do filme Meu País (2010), as performances contam também com as cantoras Luísa Lacerda, Bruna Moraes, Anna Paes, Simone Guimarães, Cíntia Graton e Ilessi. “O que mais gostei é que esse projeto dá oportunidade para cantoras que não são tão conhecidas. Não por minha causa, pelo amor de Deus, não estou me elogiando, mas tem a Leila e Ana Carolina, e isso ajuda a chegar em mais pessoas”, continuou.

Apesar de reconhecer e aprovar essas vantagens do novo formato, o músico critica a falta de reconhecimento e remuneração da arte como um trabalho como qualquer outro. “Está muito errado o artista fazer live toda hora grátis, isso se volta contra o artista. Principalmente contra o artista que tem maior dificuldade de se colocar na mídia, e precisa se submeter para mostrar que existe”, pondera. “Existe artisticamente, sim, mas também enquanto ser humano. Tem que pagar as contas. É complicado colocar assim, mas até a pessoa que se prostitui, coloca o amor naquilo que faz e merece receber por isso. O artista não precisa se prostituir, cada um dá o que tem pra dar e merece ser valorizado por isso”. 

++Leia a matéria completa no site da Rolling Stone, parceiro da Aventuras na História e Grupo Perfil.