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Violência, mitologia e pederastia: 5 fatos sobre o sexo na Grécia Antiga

Os gregos são conhecidos por imagens promíscuas e pelos mitos repletos de erotismo, mas muita coisa não se sabe sobre a sexualidade dos antigos

André Nogueira Publicado em 05/07/2020, às 08h00

Grécia Antiga
Grécia Antiga - Wikimedia Commons

1. Tutores e efebos

Na Grécia, as figuras masculinas de gerações diferentes enxergavam sexo como elemento importante. Os jovens inexperientes (efebos) eram entregues a tutores para que fossem educados e protegidos e, nesse campo, a pederastia (sexo entre homens) tinha um papel: a aproximação entre os dois e a ritualização da entrada do homem na idade adulta e sociedade.

Preparativo de relação pederasta / Crédito: Wikimedia Commons

 

As relações eram realizadas pelo tutor, ativo, chamado de erasta, e o efebo, passivo. Em Atenas, por exemplo, a pederastia era a introdução do garoto à cidadania, em que o ativo, mais velho, ensinava ao jovem com uma relação íntima. Em Esparta, essa técnica também foi usada para proporcionar uma afinidade e uma maior união entre os militares.

2. Violência e dominação

Zeus / Crédito: Wikimedia Commons

 

A mitologia grega denuncia uma realidade muito relevante na sexualidade da sociedade. Eram comuns comportamentos afetivo-sexuais marcados pela dominação masculina violenta. Paul Chrytian, historiador da Universidade de Alberta, expõe como a violência é um elemento intrínseco da representação do sexo nos mitos, principalmente na figura mais ativa dela, Zeus. 

Essas representações narrativas traduzem o sexismo da sociedade grega, e a forma como a vontade masculina era soberana. Zeus constantemente afirmava dominação contra mulheres, mas pouco fazia com homens. Isso expõe o elemento central da misoginia, que também costumava representar mulheres como submissas e mentirosas.

3. Liberdade

Orgia na Grécia / Crédito: Domínio Público

 

A Grécia costuma ser representada como um lugar de libertinagem e abertura para diversas atividades sexuais, como orgias, sodomia e masoquismo, mas isso é, essencialmente, uma narrativa forjada pela literatura ocidental para declarar sua origem num espaço de grande liberdade. A realidade é que muitas práticas que, na época, eram consideradas moralmente inapropriadas, eram severamente punidas pela lei. É o caso das orgias.

As relações de intimidade passavam por filtros morais e costumes estabelecidos pela conduta social. Assim, a regulação era ampla. Nessa realidade, o maior alvo era o público feminino, visto como apenas reprodutor (praticamente um acessório). O julgamento contra atos de mulheres repreendidos pela sociedade foram vários. Entre as condutas tidas como obscenas e combatíveis, estava o sexo entre mulheres, ao contrário da pederastia masculina.

4. Sátiros

Sétiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma das figuras mitológicas com maior carga sexual em sua representação eram os sátiros, criaturas híbridas de humano com cabrito, cujo teor erótico era elementar. Suas representações costumavam envolver um pênis ereto, posições sexualmente sugestivas e constantes demonstrações de masturbação, ato difundido entre os gregos.

Essas figuras apareciam nos mitos corriqueiramente fazendo sexo com ninfas nos bosques e campos em que viviam. Na sociedade grega, acreditava-se que os sátiros podiam estar por aí, propensos a cometer estupros e até mesmo necrofilia.

5. Elemento central

A castração de Urano / Crédito: Wikimedia Commons

 

O sexo, assim como a fertilidade advinda dessa noção, são elementos entrais da mitologia grega. A união original da Terra (Gaia) com o céu (Urano) era baseada na cópula. Afrodite nasceu do contato de sêmen saído do pênis de Urano com a água.

Isso demonstra como as relações sexuais e o tema da sexualidade era relevante dentro da sociedade e das representações na Grécia Antiga, mesmo depois da laicização da política. O sacerdotismo e os ícones religiosos viviam embebidos de temas eróticos, sendo que a questão não era repreendida, como nas sociedades cristãs, mas incentivada.


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