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Vista estonteante: a primeira e única mulher brasileira a chegar na estratosfera

Conversamos com Dina Barile, que visitou 140 países diferentes no decorrer da vida, com seu voo para a estratosfera sendo uma de suas aventuras recentes

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 06/03/2021, às 09h00

Fotografia de Dina na frente do caça que a levou para a estratosfera
Fotografia de Dina na frente do caça que a levou para a estratosfera - Divulgação / Dina Barile

Dina Barile, de 65 anos, é uma paulistana que já visitou 140 países diferentes, e, em 2020, foi reconhecida pelo Rank Brasil como a primeira mulher brasileira a já ter chegado à estratosfera, uma camada da atmosfera que está entre 15 e 50 quilômetros de altitude. 

Ela teve essa aventura na Rússia, onde aproveitou para também ter um voo que simulava gravidade zero no dia seguinte. Pensando na semana que comemora o Dia Internacional da Mulher, o site Aventuras na História entrevistou essa brasileira exploradora para descobrir mais sobre como foram essas experiências. 

Desde cedo 

Filha de imigrantes italianos que vieram para o Brasil durante o pós-guerra, Dina sempre disse para os pais que quando fosse mais velha e ganhasse seu próprio dinheiro, iria levá-los de volta para a Itália

Então, quando ela tinha 21 anos de idade, conseguiu cumprir sua promessa, levando a mãe em uma viagem para seu país de origem. “Aí depois disso eu criei gosto pela coisa! E comecei a juntar dinheiro pra todo ano pra viajar. Em um ano viajava pro Brasil, e no outro pro exterior”, contou a paulistana, acrescentando ainda que: “E se o namorado falava ‘sou eu ou a viagem’, era a viagem!”, brincou.  

Para ela, os principais atrativos são lugares “antigos, com história”, ou então “com flora e fauna exóticas, diferente das que temos aqui no Brasil”. Tanto que os Estados Unidos só receberam uma visita da brasileira depois de ela já ter os carimbos de mais de 100 países no seu passaporte, uma vez que era um local “muito recente” para o gosto dela. 

Um dos países favoritos de Dina foi a Islândia: “A paisagem muda completamente a cada quilômetro! Você anda um pouquinho, tem uma cachoeira imensa, mais um pouquinho, encontra icebergs enormes, mais um pouco e acha gêiseres, depois vem uma piscina de águas termais…”, relatou. 

Voo recordista 

Fotografia de Dina com prêmio que ganhou do Rank Brasil para simbolizar seu recorde como primeira mulher brasileira na estratosfera / Crédito: Divulgação/ Dina Barile 

 

Dina foi para Rússia após comprar um pacote na agência de viagens de Marcos Pontes, engenheiro, astronauta e atual ministro da Ciência e Tecnologia.

Para conseguir visitar a estratosfera e experimentar uma simulação de gravidade zero, a paulistana precisou pagar 32 mil dólares, o que é equivalente a 163 mil reais. Apesar do preço salgado, ela não tem dúvidas de que valeu a pena: 

“Tudo que eu ganho é direcionado pra viajar, pra realizar meus sonhos, então quando o assunto são viagens eu não meço muito dinheiro. Se eu quero ir, eu vou”, afirmou ainda, completando porém que está sempre atenta a promoções. Desde que esteja sempre economizando, afinal, pode estar preparada para aproveitar qualquer oportunidade que aparecer.

O único defeito que Dina colocou na experiência de chegar à estratosfera foi que durava muito pouco. Ela ficou no avião de tipo caça por cerca de uma hora e vinte - porém a maior parte desse tempo foi gasto com a subida e a descida, com só uns minutinhos sendo vivenciados na altura máxima. 

“Até brinquei com o piloto: ‘Não podemos ficar aqui mais um pouquinho, bater um papo antes de começar descer?’”, contou. A vista lá em cima era estonteante: à direita dela, havia a escuridão do espaço sideral, e à esquerda era possível ver a curvatura da Terra. 

Dina até mesmo teve a oportunidade de assumir o controle do avião. Isso porque ela havia feito toda uma preparação antes de ir para a Rússia, estando familiarizada com o painel de controle, com os mecanismos do caça e também passando por uma avaliação médica. 

O manche do caça (que é como se fosse o ‘volante’ do avião) é muito sensível, todavia, como a brasileira logo percebeu. Ela mal tocou o equipamento, e já virou o veículo de ponta cabeça. Depois disso, decidiu deixar a direção com o piloto mesmo, que fez diversas manobras radicais para diverti-la durante essa volta, alcançando a velocidade mais alta em que o caça chegava. 

Outras aventuras 

Já no voo que simulava gravidade zero, Dina teve a oportunidade de realizar uma fantasia de qualquer criança: dar cambalhotas no ar. “Teve um tripulante que ficou me ajudando a dar as cambalhotas: eles te jogam pra você ir sozinho, mas claro, um te arremessa e outro te pega, que apesar de ser uma hora de voo, não dá tempo de você aprender a se movimentar sozinha!”, disse ela. 

Caso pudesse repetir, a paulistana queria tentar dominar o ambiente de gravidade zero, e planar sozinha. Outro elemento que deixou a experiência dela ainda mais divertida foi que os rapazes russos que estavam no avião com ela estavam todos fantasiados de super-heróis. “Posso dizer que trombei no ar com o Super Man!”, contou. 

Dina no voo de gravidade zero / Crédito: Divulgação/ Dina Barile 

 

A próxima viagem planejada por Dina seria para Uganda, onde ela gostaria de fazer um trekking (uma caminhada por uma zona de difícil acesso) para observar os gorilas que vivem nas montanhas. “São poucas famílias, a gente vai andar até encontrar uma família, e vai ficar observando de longe. Você pode ficar no máximo uma hora pra não estressar o gorila”, explicou. A paulistana pretendia ter ido em 2020, porém a pandemia acabou postergando seus planos. 

Outro sonho da brasileira é ter experiência num voo ainda mais alto que o da estratosfera: ela gostaria de adentrar uma viagem espacial. Embora seja possível ter essa aventura nos dias atuais, custa muito caro, de forma que Dina está esperando e torcendo para a tecnologia se tornar mais acessível. 

Conselhos 

Para quem quer ter uma vida cheia de aventuras como a da brasileira, ela recomenda colocar as viagens como prioridade financeira, assim não gastando com supérfluos, além de aprender outras línguas (ela própria, além do português, fala inglês, espanhol, italiano e sabe ler alemão), e por fim ter determinação para lidar com os eventuais apertos que podem decorrer de estar fazendo turismo em lugares distantes.