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Vítima de um ritual: a múmia de Pachacamac, encontrada em posição fetal

Enterrada com corpos de bebês e crianças, a mulher que viveu há mais de mil anos foi descoberta em um antigo templo abandonado

Isabela Barreiros Publicado em 14/04/2020, às 07h30

A impressionante múmia de Pachacamac
A impressionante múmia de Pachacamac - Divulgação

Uma das descobertas mais impressionantes feitas no Peru foi a de uma múmia encontrada no sítio arqueológico de Pachacamac, localizado distrito de Lurín, próximo à capital peruana, Lima. A maioria dos corpos embalsamados que são descobertos por arqueólogos surpreendem, no entanto, esta teve uma peculiaridade: ela estava em posição fetal.

Os pesquisadores avistaram a múmia pela primeira vez em 2012, em um antigo templo abandonado de Pachacamac. Ela estava enterrada dentro do local com mais 80 corpos e esqueletos. Adultos, crianças e até mesmo bebês foram descobertos no cemitério.

Os especialistas, então, começaram a estudar a cultura propagada no local e para tentar entender os motivos do enterro aparentemente coletivo dessas pessoas. Uma hipótese levantada é que o local foi palco de diversos rituais que envolviam oferendas humanas — ou seja, o indivíduo provavelmente foi vítima dessa prática.

O sítio arqueológico de Pachacama, no Peru / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo o professor e arqueólogo Peter Eeckhout, principal responsável pela análise do artefato, “descobertas como esta são excepcionalmente escassas e essa múmia está incrivelmente bem preservada”. O fato de ela ter mantida em posição fetal e embrulhada ajuda a entender porque sua preservação é quase impecável.

Para descobrir mais detalhes sobre a múmia, os arqueólogos a submeteram a diversos exames utilizando carbono. “Já coletamos amostras para uma posterior datação por carbono, mas pela área em que foi encontrado, acreditamos que esse indivíduo foi enterrado entre 1000 a 1200 anos d.C..", afirma Eeckhout.

Além disso, essas análises também revelaram que o corpo provavelmente é de uma mulher que viveu há mais de mil anos. Ela também estaria em por volta dos 50 anos quando foi morta em um ritual praticado em Pachacamac.

Principalmente devido a fragilidade da peça, os pesquisadores fizeram de tudo para mantê-la da mesma forma que foi encontrada: em sua posição fetal.

Outra câmara funerária encontrada no local / Crédito: Divulgação

 

A descoberta do local foi feita por pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, que também realizaram pesquisas com os corpos encontrados. Acredita-se que o sítio arqueológico, que tem cerca de 40 km de distância, está entre os mais antigos do Peru. Também é considerado um dos mais importantes ao lado de Machu Picchu e Linhas de Nazca.

Hoje, o Museu de Confluências, em Lyon, na França, abriga o corpo da mulher em posição fetal encontrado em Pachacamac. Sua exposição foi preparada em 2014 e tem como tema a morte, representada por meio de artefatos das mais diferentes culturas em diversos períodos históricos.


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