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Voz de pirata e ranzinza: Hoover, a impressionante foca mais falante da História

Sem treinos especiais, a foca foi resgatada por acidente e aprendeu a retribuir a comunicação de seu dono durante a vida

Wallacy Ferrari Publicado em 11/07/2020, às 09h00

Fotografia de Hoover em plano retrato, tirada em seu tanque
Fotografia de Hoover em plano retrato, tirada em seu tanque - Divulgação / New England Aquarium

Enquanto caminhava em uma praia em maio de 1971, o inglês Scottie Dunning se surpreendeu com uma estranha criatura, nunca antes vista no local. Chegou perto e certificou-se de que o animal era uma foca, ainda na infância. Sem nenhum sinal de que o filhote havia sido levado ou acompanhado, o cunhado do rapaz, George Swallow, foi chamado, para auxiliar nas buscas de algum responsável.

Depois de alguns minutos caminhando pela costa, a praia foi revistada enquanto a pequena foca era carregada nos braços. Quando encontrou um sinal da origem do animal, era tarde demais; a mamãe do bicho estava caída na areia, já sem vida. Swallow então sugeriu que o pequeno fosse levado para sua casa e instalado na banheira até que algum órgão ou fundação pudesse auxiliar nos cuidados.

Nos dias iniciais, não quis se alimentar com o leite oferecido pelo novo responsável, mas a dica de um vizinho funcionou perfeitamente; orientado a moer peixes e servir ao animal, a foca sugou o alimento em segundos, rendendo o carinhoso nome de “Hoover” (aspirador, em inglês) e tornando-se o mais novo membro da família.

Jornais estampam George Swallow e a descoberta da foca falante / Crédito: Divulgação

 

De doméstico a famoso

Na residência de Swallow, a foca se tornou uma espécie de mascote da família, tendo rotinas de alimentação, brincadeiras e até passeios de carro com a cabeça para fora da janela. Após um tempo de estadia, a família deixou de lado a ideia de relatar a um órgão competente para sua reinserção a natureza, visto que o animal parecia alegre, saudável e adaptado. Porém, em uma brincadeira específica, Hoover desenvolveu seu talento da vida.

Sem receber treino especial, o bichano tinha mania de se esconder em pontos da casa a todo momento, perturbando George, que frequentemente gritava a frase “Get out of here” ("Saía daí", em inglês). O mamífero não só aprendeu a acatar o chamado, como semanas depois surpreendeu o dono, repetindo a mesma frase com o sotaque britânico. O susto animou Swallow, que decidiu buscar ajuda para amparar nas vocalizações.

Ao longo dos meses seguintes, Hoover também começou a dizer “olá” e “venha aqui”, mas já tinha gastos muito altos para mantê-lo em casa. O responsável decidiu fazer contato com o New England Aquarium, em Boston, para hospedar o mascote de maneira segura, em troca da atração.

Inicialmente desacreditados na capacidade da foca, os cuidadores se surpreenderam e acolheram rapidamente o talentoso bichano, que se tornou um sucesso de público.

Lápide do cuidador George Swallow contendo o abraço da dupla / Crédito: Divulgação/Twitter

 

Os anos finais de Hoover

Apesar de ter apresentado os talentos para os instrutores, o animal não se adaptou rapidamente ao público e aos outros companheiros de tanque. Até ficar tranquilo para esbanjar sua voz grave aos visitantes, a foca passou 5 anos sem dirigir palavras aos membros do parque, aguardando apenas as visitas de Swallow.

Quando ficou confortável, entretanto, falava diversas vezes ao dia, conquistando os observadores com seu comportamento ranzinza. A voz grave e o sotaque de New England ecoavam com Hoover mandando todos “saírem daqui”. Poucos sortudos ainda recebiam um gracioso “hello” (olá, em inglês), como a equipe do ‘Good Morning America’, que filmou o bichinho e relatou a sua paixão pelo ex-cuidador.

Em 1985, durante o período de muda em sua pelagem, o animal sofreu complicações, sendo conduzido a um tratamento intensivo para identificar o problema, sem sucesso. Acabou falecendo em julho do mesmo ano, chegando a ter seu obituário publicado no The Boston Globe.

Em 1997, quando George Swallow faleceu, uma última homenagem foi disposta para a feliz dupla; em sua lápide, o acolhedor abraço do companheiro acalenta a última homenagem.


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