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Yamnaya: os guerreiros neolíticos que assassinavam brutalmente seus oponentes na Europa há 4 mil anos

Acredita-se que esse povo se sobrepôs a outras culturas logo após o continente ser varrido por doenças, guerra e fome

Redação Publicado em 01/04/2019, às 12h58

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- Reprodução

Guerreiros que viveram na Europa cerca de 4.000 anos atrás são hoje considerados uma das sociedades mais agressivas já estudadas. Um crescente grupo de evidências está convencendo os arqueólogos de que a sociedade Yamnaya, que viveu durante o período Neolítico, massacrou implacavelmente sociedades opostas.  Acredita-se que esse povo se sobrepôs a outras culturas logo após o continente ser varrido por doenças, guerra e fome, no que ficou conhecido pela arqueologia como "Morte Negra". Evidências como DNA, isótopos e pólen encontrados em sítios arqueológicos demonstram que muitos assentamentos da era anterior haviam se tornado uma fossa de infestação de doenças, sendo o mais antigo esqueleto dessa época datado de 5.700 anos, segundo o professor Kristian Kristiansen, da Universidade de Gotemburgo. A população sobrevivente desse período, registrada em sítios arqueológicos do Reino Unido à Escandinávia, estava provavelmente pequenas e enfraquecidas pelas provações, o que facilitou o domínio dos Yamnaya.

Expansão Yamnaya coincidiu com surgimento de Stonehenge / Reprodução

Entre as características dessa cultura, os pesquisadores registram o uso de cavalos e o cuidado de crianças das etnias dominadas, com o objetivo de erradicar a presença cultural dos grupos anteriores. Uma quantidade significativa de DNA Yamnaya tem sido encontrada em locais muito distantes, o que demonstra a rapidez de sua mobilidade. Os Yamnaya enterravam seus mortos de formas facilmente identificáveis na paisagem: vigas de madeira cobriam montes de terra, covas individuais conhecidos como "Kurgan", que resistem até hoje na paisagem. DNA antigo revela que esses migrantes eram bem nutridos, altos e musculosos. "Parece que eles viviam principalmente de carne e produtos lácteos", afirma o professor Kristiansen. "Eles eram saudáveis ​​e provavelmente fisicamente fortes".

Evidências de reação local contra esse povo, encontradas no sítio arqueológico Eulau, na Alemanha, demonstram o massacre de 13 indivíduos do grupo Yamnaya, apenas mulheres e crianças. Isso leva à conclusão de que a matança tenha sido uma emboscada contra o grupo, levado a cabo por etnias locais quando da saída dos homens Yamnaya.

Covas encontradas em Eulau, Alemanha / Reprodução

A propagação da cultura Yamnaya se deu pela intercessão de diferentes culturas, como a Cultura do Vaso Campaniforme, que surgiu há cerca de 4700 anos na região da Península Ibérica. Este grupo de pessoas também tinha o costume de enterrar seus mortos em covas individuais, e a datação por carbono de uma gama de produtos, incluindo pontas de flechas, vasos e punhais de cobre indica migrações em direção à Europa Central, onde as duas culturas teriam se sobreposto.

Objetos produzidos pela Cultura do Vaso Campaniforme / Reprodução

Segundo David Reich, da Harvard Medical School, "a colisão dessas duas populações não foi amigável, nem igualitária, mas os homens Yamnaya destruíram quase completamente os homens da outra etnia." Sua afirmação assenta-se na evidência de que apenas os cromossomos deste grande grupo guerreiro continuaram em gerações posteriores.