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Infância roubada: as crianças torturadas e sequestradas durante a ditadura militar

Obra Cativeiro Sem Fim, de Eduardo Reina denuncia as atrocidades cometidas contra filhos de presos políticos

Victória Gearini Publicado em 13/12/2019, às 17h00

Crianças detidas e torturadas durante a ditadura militar no Brasil
Crianças detidas e torturadas durante a ditadura militar no Brasil - Domínio Público

No auge da ditadura militar no Brasil, os torturadores passaram a obter mais informações dos presos políticos por meio de seus filhos. Por isso, nessa época, crianças e até mesmo bebês eram submetidos a diversas torturas psicológicas e físicas.  

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Crianças sob a custódia de militares / Crédito: Domínio Público

Um dos casos mais emblemáticos foi o de Maria Amélia Teles, que foi presa e torturada na frente de seus filhos pequenos. Os militares levaram Edson Teles, na época com 5 anos, e Janaina, com 4 anos, para ver sua mãe nua, sangrando, vomitada e urinada.

Outro caso famoso é o de Carlos Alexandre Azevedo, preso com os seus pais, em 1974, com apenas um ano e oito meses. Segundo a família, Carlos foi torturado no Dops de São Paulo, trauma que perdurou até a fase adulta. Ainda jovem, foi diagnosticado com depressão e fobia social, até que em 2013 suicidou-se.

Também era comum em ditaduras da América Latina, inclusive no regime militar brasileiro, o rapto de filhos de presos políticos. Na fase mais violenta desse período, os "filhos de terroristas" eram sequestrados para que os militares pudessem extrair mais informações ou, simplesmente, pudessem se vingar de seus pais. Ao descobrir esse fato, o jornalista Eduardo Reina passou a investigá-lo e mapeou o sequestro de 19 bebês, crianças e adolescentes feitos por militares.

Eduardo Reina reuniu estes fatos em sua mais nova obra, Cativeiro Sem Fim, lançada pela Alameda Editorial em parceria com o Instituto Vladimir Herzog. Este livro reportagem contém, ainda, o relato de seis vítimas que foram torturadas ainda na infância.

Crédito: Alameda Editorial

 

"Para algumas das vítimas, a sobrevivência provocada pelo não cumprimento da ordem de extermínio funcionou como um prêmio. Mas as manteve longe das famílias biológicas e com um passado desconhecido. Esses brasileiros sequestrados vivem até hoje num cativeiro sem fim", disse Eduardo Reina para o portal UOL.

A ordem era matar filhos de guerrilheiros, mas muitas vezes os militares não cumpriam o que lhes era mandado e colocavam as crianças para a adoção. Crianças indígenas também estavam na lista de sequestros, segundo o escritor.  Para Reina, sua obra ajudará a esclarecer as atrocidades cometidas neste período de forma clara e objetiva.   


+Saiba mais sobre esta e outras obras da ditadura militar:

1. Cativeiro sem fim: as Histórias dos Bebês, Crianças e Adolescentes Sequestrados Pela Ditadura Militar no Brasil, de Eduardo Reina (2019) - https://amzn.to/2YFRkmi

2. Em nome dos pais, de Matheus Leitão (2017) - https://amzn.to/2rxgQhI

3. A Casa da Vovó: Uma biografia do DOI-Codi (1969-1991), o centro de sequestro, tortura e morte da ditadura militar, de Marcelo Godoy (2015) - https://amzn.to/2EofbOl

4. Memórias do esquecimento, de Flavio Tavares (2012) - https://amzn.to/2YGHhNW

5. Olho por olho: Os livros secretos da Ditadura, de Lucas Figueiredo (2011) - https://amzn.to/2LLktaw

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