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AH indica: O que achamos de Torre das Donzelas, documentário de Susanna Lira

Lira retrata de forma poética a história de ex-presas políticas, em um atual cenário de censura velada no país

Victória Gearini Publicado em 24/09/2019, às 08h00

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Reprodução

Na última quinta-feira (19), o filme Torre das Donzelas, de Susanna Lira estreou em 11 estados brasileiros. A trama vencedora dos prêmios de Melhor Direção de Documentário e Melhor Documentário pelos júris oficiais e populares no Festival do Rio, de Melhor Filme pelo júri popular na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do Prêmio Especial do júri no Festival de Brasília, se baseia no pressuposto de que a arte deve ser ouvida e sentida.

Susanna Lira faz um excelente trabalho retratando a realidade das ex-presas políticas, reconstituindo a trajetória dessas mulheres desde a prisão no Deops, até o presídio Tiradentes. 

Dilma dando seu depoimento no documentário Torre das Donzelas / Crédito: Modo Operante Produções

 

Em tempos em que a arte é censurada de forma velada, produzir uma obra que relembra o período de ditadura militar no Brasil é um ato revolucionário. Susanna Lira consegue traçar um paralelo com a atualidade por meio de um documentário completo, em questões de técnicas cinematográficas e de interesse público.

Reconstrução de uma cela do presídio Tiradentes / Crédito: Modo Operante Produções

 

Ao longo do filme é impossível não construir empatia pelas histórias das mulheres. A construção de um viés poético é de extrema importância para essa aproximação.

O documentário também mostra de forma sutil a autodescoberta de seus corpos, como forma de um ato de liberdade. Em um contexto de opressão e aprisionamento, mostra a quebra de paradigmas criados pelo patriarcado.

Cena do documentário Torre das Donzelas / Crédito: Elo Company

 

A cena mais marcante da obra se passa no momento em que as protagonistas relatam a descoberta de suas partes íntimas, enquanto estavam detidas no Tiradentes. Este momento simboliza um ato de rebeldia contra o sistema misógino e o marco sobre o controle de seus corpos, que até então haviam sido violados pelos militares.

Além disso, o fato do filme ter sido produzido por uma mulher é importante para a construção de um espaço de fala, o qual Susanna Lira soube aproveitar.