Confira as maiores confusões que os filhos dos presidentes americanos já aprontaram

Confira as maiores confusões que os filhos dos presidentes americanos já aprontaram

Adriana Maximiliano de Washington Publicado em 20/06/2012, às 16h52 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

infografico casa branca
infografico casa branca - Arquivo Aventuras

As filhas de Barack Obama, Malia, de 11 anos, e Sasha, de 8, chegaram à Casa Branca há pouco mais de um ano, mas já têm fã-clube, inspiraram bonecas e suas roupas são copiadas. Nunca se viu nada igual? Claro que sim. Mesmo em tempos pré-paparazzi, os filhos de presidentes americanos despertavam o interesse (e às vezes até a adoração) do público. Basta lembrar que um dos maiores sucessos do cantor Neil Diamond, Sweet Caroline, foi inspirado numa foto da filha de John Kennedy, Caroline, aos 4 anos, ao lado de um pônei nos jardins da residência oficial. "As meninas Obama têm o mesmo apelo das crianças dos Kennedys. Todo dia alguém aparece por aqui perguntando o que tenho para vender com a imagem delas", diz Jim Warlick, que abriu cinco lojas de suvenires na área metropolitana de Washington no último ano.

Proteger a família dos presidentes da curiosidade alheia é tarefa do Serviço Secreto. Tanto zelo já deu resultados inesperados: a filha de Gerald Ford, Susan, se casou com um desses agentes, no fim dos anos 1970. "Essas crianças e jovens pagam um preço pelo emprego dos pais: não ter uma vida ordinária. Alguns conseguem tirar o melhor da situação, enquanto outros passam anos sofridos", diz Doug Wead, autor de All the President’s Children - Triumph and Tragedy in the Lives of America’s First Families ("Todos os filhos dos presidentes - Triunfo e tragédia nas vidas das primeiras famílias americanas", sem edição no Brasil). Há bons momentos... Malia e Sasha dançaram com os ídolos Jonas Brothers, por exemplo. Já Chelsea, filha de Bill Clinton, chegou à capital em 1993, aos 12 anos, com espinhas, cabelos desgrenhados e uma timidez de dar dó. Foi chamada de feia durante os oito anos seguintes. Confira as maiores dores e delícias do lar presidencial americano.

Ilustrações Rômulo Pacheco

No início do século 19, as paredes da Casa Branca já tinham muito o que contar. Os três filhos do presidente John Quincy Adams (1825-1829) se apaixonaram pela mesma garota, Mary Catherine Hellen. Prima do trio, ela morava com os Adams desde que ficara órfã, aos 13 anos. Dois anos depois ela começou a namorar o caçula dos irmãos, Charles. Depois ficou noiva do mais velho, George Washington. Mas ele decidiu se formar em Harvard antes de trocar alianças. Mary não gostou e acabou casando, aos 22 anos, com o irmão do meio, John Adams II. Os preteridos não foram à cerimônia de casamento, realizada na mansão presidencial. Pouco depois, o desiludido George Washington afogou-se. Provavelmente foi suicídio.

Bom coração

No lugar de corações partidos, uma alma caridosa. O caçula de Abraham Lincoln (1861-1865), Tad, de 10 anos, salvou a vida de um peru que seria o destaque da ceia natalina de 1863. Enquanto engordava, a ave seguia o menino pelos gramados da Casa Branca e foi batizada de Jack. Na hora do abate, Tad implorou para que o peru fosse poupado. Diz a lenda que Lincoln deixou a Guerra Civil de lado por alguns instantes para escrever um bilhete ao cozinheiro. Jack virou o principal bicho de estimação da família.

A presença de animais no número 1600 da avenida Pensilvânia, porém, ganhou contornos de zoológico quando Theodore Roosevelt (1901-1909) assumiu a presidência. Seus filhos criaram hiena, coruja, papagaio, porquinhos-da-índia, lagarto, porco, galo, cachorros, coelho, pônei e até um pequeno urso. Certa vez, o caçula Quentin chegou em casa com quatro cobras. "Eu estava discutindo assuntos com o secretário de Justiça quando as cobras foram colocadas no meu colo", lembrou Roosevelt em 1907, numa carta a outro filho, Archie. Sem tempo para entreter o menino, o presidente sugeriu que Quentin levasse os animais para a sala ao lado, onde senadores o aguardavam: "Pensei que ele e as cobras iriam provavelmente distrair o grupo durante a espera".

Mas nenhum dos pets da família era tão selvagem quanto Alice, a quarta dos seis filhos de Roosevelt. Ela dirigia, jogava pôquer e fumava, hábitos incomuns para as mulheres da época. A moça não era exatamente uma feminista, era descontrolada mesmo. Durante seu casamento, na Casa Branca, Alice não conseguiu cortar o bolo porque usava uma faca cega. Sem cerimônia, pegou o sabre de um militar e esquartejou a guloseima. "Ou eu governo os Estados Unidos ou controlo Alice. Não dá para fazer as duas coisas", disse Roosevelt. Antes de se mudar da residência oficial, em 1909, a jovem deixou um "presente" para a primeira-dama do mandatário seguinte, William Howard Taft. Ela confessaria anos mais tarde que fez um boneco de vudu de Nellie Taft e o enterrou no jardim.

A lista de moças arteiras cresceu na gestão Woodrow Wilson (1913-1921). Suas filhas Margaret e Eleanor aparentemente não tinham muito o que fazer em Washington na década de 10 do século passado. Um dia pagaram para participar de um tour pela cidade e imploraram para entrar na Casa Branca. O guia dizia que era proibido e elas insistiam, pedindo detalhes do cotidiano da família Wilson. Numa era pré-televisão, não foram reconhecidas e ainda levaram uma bronca do guia. No fim do passeio, entraram na mansão e rolaram de rir.

Podem até ter levado uma bronca, mas nada comparável à do presidente Harry S. Truman (1945-1953) dirigida a um crítico do Washington Post que ousou atacar a performance de Margaret no palco, em 1950. A filha do presidente tentava a carreira de cantora e, segundo o articulista, era atraente, mas não cantava bem. Truman escreveu a ele: "Se eu encontrá-lo, você vai precisar de um nariz novo". A história saiu nos jornais e Margaret teve casa cheia depois. Sucesso mesmo, porém, ela obteve já com o pai longe da Casa Branca, na década de 70, como escritora.

Realeza

Um dos grandes modelos de família presidencial americana é a de John F. Kennedy (1961-1963), apesar das suspeitas (depois confirmadas) de que fosse infiel a Jacqueline. O atentado que o matou, assim como as tragédias que atingiram o clã, deram-lhe uma aura especial. Aos 3 anos, Caroline não era uma princesa autêntica quando o pai foi eleito. Mas era tratada pelo público, pela imprensa e pelos familiares como tal. Talvez por isso ela tenha achado a Casa Branca parecida com um castelo. Seu irmão, John-John, nasceu entre a eleição e a posse, tornando-se o primeiro bebê do século 20 a morar na mansão - e, até agora, o último também. Pela televisão ou nas revistas, os americanos viram as crianças crescerem no imponente quintal, sempre impecáveis. Uma foto em que Caroline aparece ao lado do pônei Macaroni inspirou o cantor Neil Diamond e Sweet Caroline (1969) puxou a venda de mais de 1 milhão de discos. Na era Kennedy, uma escolinha para ela e outras 14 crianças funcionou no terceiro andar da Casa Branca. Ideia da primeira-dama. "Se você estraga a criação dos seus filhos, qualquer outra coisa que você faça não importa muito", afirmou Jackie. Se a dupla aprontou alguma, ela abafou bem, com a classe de sempre.

Nenhuma garota aproveitou mais a temporada presidencial que a filha de Gerald Ford (1974-1977). Susan tinha 17 anos quando se mudou e levou a turma da escola ao êxtase ao oferecer o Salão Leste da Casa Branca para o baile de formatura. Ela também armava das suas. Uma escapada por bares da capital inspirou uma cena da comédia Curtindo a Liberdade (2004). Em 1979, aos 22 anos, Susan se casou com um agente que fez parte da segurança de seu pai, Charles Vance.

Erva

Jack, irmão de Susan, teve visitas ilustres como o beatle George Harrison, a modelo Bianca Jagger e Andy Warhol. Recentemente ele confessou que costumava fumar maconha a poucos metros do Salão Oval. A moda pegou na família sucessora. Chip, filho de Jimmy Carter (1977-1981), também admitiu que queimava a erva por ali. Já a irmã de Chip era uma menina tímida. Amy estudava numa escola pública e o serviço secreto não a deixava sair da sala de aula na hora do recreio. Dedicada que era, quebrou protocolos algumas vezes. Aos 9 anos, foi a convidada mais jovem dos jantares oficiais na Casa Branca. Sentava-se ao lado de chefes de estado. Amy achava aquilo tudo muito chato e, para não dormir, lia livros entre uma garfada e outra. Os pais achavam engraçadinho; os convidados, nem tanto.

Em março de 1977, um senador interrompeu a leitura da garota para que ela comesse espinafre e o episódio foi parar na imprensa. "Se o livro é melhor que a conversa, o que certamente é possível em ocasiões oficiais, por que cada um não leva o seu?", escreveu uma colunista do Washington Post. Fazer pouco das convenções não é característica exclusivamente feminina entre os herdeiros dos presidentes. Ron, filho de Ronald Reagan (1981-1989), abandonou a Universidade de Yale para virar bailarino. Na ocasião, o pai estava em campanha (alguém deve ter culpado Ron pela derrota para Carter). Reagan venceu a eleição seguinte e seu filho foi convidado para participar do humorístico Saturday Night Live, famoso na TV americana. Ron dançou de cueca em horário nobre. Sua irmã mais velha também ganhou fama. Aos 41 anos, Patti Davis posou nua para a Playboy.
Depois das saias justas que George W. Bush (2001-2009) enfrentou com as gêmeas Jenna e Barbara por problemas com álcool, as meninas Obama, mais novas, ainda não se envolveram em traquinagens. Por enquanto, divertem-se no playground montado para elas, em frente ao Salão Oval, e com Bo, o cãozinho de estimação.


Saiba mais


Site


www.whitehousemuseum.org

O site do Museu da Casa Branca traz toda a história da mansão, além de mapas e muitas fotos.

Livro


All the Presidents' Children: Triumph and Tragedy in the Lives of America's First Families, Doug Wead, Atria Books, 2004

As curiosidades sobre os filhos dos presidentes americanos.