Dor de cabeça eterna

Homem luta contra a enxaqueca há 9 mil anos

Maria Carolina Cristianini Publicado em 01/12/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Quem nunca sofreu com uma dor de cabeça? Estima-se que 90% da população mundial já teve o problema ao menos uma vez. Dorzinha boba para alguns, tormento insuportável para outros, ela sempre acompanhou o homem. Conheça os mais estranhos tratamentos usados até a descoberta de medicamentos modernos.

7 mil a.C. - CABEÇA OCA

Pesquisas arqueológicas indicam que a dor de cabeça já existia na Pré-História, quando se pensava que espíritos maus causavam as doenças. Para tentar se livrar da dor, eram feitos furos na cabeça (cirurgia de trepanação), para que os espíritos saíssem pelo crânio.

1200 a.C. - COMPRESSA ANIMAL

Felizmente, outros tratamentos surgiram, como o descrito num papiro de 1200 a.C.: os egípcios amarravam na cabeça, com uma faixa de linho branco em que se liam nomes de deuses, um crocodilo de barro com trigo na boca. A dor melhorava, possivelmente pela compressão nas veias dilatadas.

400 a.C. - BESTEIRA NA CABEÇA

Na Grécia, Hipócrates, o pai da medicina, registrou os sintomas da enxaqueca, pensando, pelos vômitos, que a causa eram “vapores” estomacais que atingiam a cabeça. Ele recomendava o uso de folhas de salgueiro, ricas em salicina, que atua na dor e na febre.

Século 1 - COLEIRA ANTIDOR

Por volta do ano 80, o médico Areteu de Capadócia classificou diversos tipos de dor, como a cefaléia e a enxaqueca. Mas tratamentos de pouca eficácia ainda eram muito populares, como o hábito de amarrar um chicote ao redor do pescoço descrito pelo escritor romano Plínio, o Velho.

Séculos 9 e 10 - ANALGÉSICO EXCÊNTRICO

Outras formas de acabar com a dor foram registradas nos séculos 9 e 10. O médico espanhol Abulcasis indicava a aplicação de ferro quente na cabeça. Já os britânicos usavam pedaços de ninho de andorinha sobre a testa ou ingeriam suco de sabugueiro e (eca!) estrume de cabra.

Séculos 11 a 15 - MENTE ABERTA

Nada disso adiantou. Na Idade Média, alguns europeus acreditavam que a dor atingia aqueles que tinham fios de cabelo usados por aves em ninhos. Para aliviar a dor, aplicavam na cabeça ópio e soluções de vinagre, que abriam os poros para a absorção da droga.

Século 17 - A EXPLICAÇÃO

Mesmo com todo o esforço, era difícil combater a dor sem conhecer suas causas. Só na segunda metade do século 17, o britânico Thomas Willis descobriu que ela tem aspectos hereditários e sofre influência da alimentação e do meio ambiente, além de ser causada pela vasodilatação.

1833 - FINALMENTE, UM REMÉDIO

A explicação de Willis não curou ninguém, mas levou à descoberta de substâncias como o ergot, presente no esporão de centeio (cogumelo que se forma no lugar do grão de centeio). Seu uso foi registrado em 1833. A partir dele, surgiria no século 20 a ergotamina, primeiro remédio para enxaqueca.

1897 - AGORA VAI!

Outros medicamentos vieram, contra dores em geral. Um deles usava a salicina, velha conhecida de Hipócrates. Ela foi sintetizada em 1859, mas irritava o estômago. O químico alemão Felix Hoffman encontrou a solução no ácido acetilsalicílico em 1897. Nascia a superpopular aspirina.

Séculos 20 e 21 - BOTOX NA CABEÇA

Além da ergotamina e da aspirina, novas drogas mais eficientes foram descobertas, como os triptanos. Eles surgiram entre os anos 80 e 90 e atuam no estreitamento dos vasos sanguíneos. No século 21, a novidade é a pesquisa sobre o uso do botox na prevenção das crises.