Museu de artes e ofícios: Estação abandonada vira museu

Primeiro museu de artese ofícios do país é inauguradoem Minas Gerais

Cláudia de Castro Lima Publicado em 01/02/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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O local é inusitado: uma antiga estação de trem reformada. A linha do metrô corta o prédio bem no meio. Duas enormes vitrines de vidro, que podem ser vistas por quem está nas plataformas de embarque, dão um gostinho do que há lá dentro. Quem visita o Museu de Artes e Ofícios, inaugurado em dezembro em Belo Horizonte, Minas Gerais, também interage com o lado de fora: a visão (e o barulho) do trem e do metrô que passam pelos trilhos faz parte do charme.

O museu, primeiro do gênero no país, conta com um acervo catalogado de 2 147 objetos – fora os “vários”, segundo a museóloga Célia Corsino, que não entraram no cálculo. São ferramentas, roupas, meios de transporte, utensílios, equipamentos e diversos outros objetos de antigos comerciantes, ourives, ambulantes, tropeiros, mineiros, marceneiros e trabalhadores afins. Tudo dos séculos 18 e 19 e início do 20, antes da industrialização. Ao lado de cada módulo da exposição, uma estação multimídia (que funciona como um caixa eletrônico de banco, com um toque na tela) dá mais informações sobre o ofício em questão, conta a história dos trabalhadores e de determinados objetos, traz mapas e mostra como a atividade funciona hoje em dia.

Os dois prédios que abrigam o museu são interligados por um túnel, que passa por baixo da linha do metrô. Eles foram construídos em 1922, para servir como a estação central de Belo Horizonte. “O local estava totalmente degradado e subutilizado”, diz Célia Corsino. “Seu restauro impulsionou a recuperação de toda a área ao redor, como a praça da Estação.” Para o projeto todo do Museu de Artes e Ofícios, que levou quatro anos, foram gastos 18 milhões de reais.

O acervo foi doado pela empresária Angela Gutierrez, fundadora do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, que leva o nome de seu pai e mantém o museu. “Comprei os móveis e os objetos todos durante 30 anos, mas sem a intenção de montar uma coleção. Quando percebi, ela já estava pronta”, afirma. “Costumava viajar com meu pai para comprar antiguidades pelo interior do país. Quando entrávamos nas casinhas para procurar objetos, ele me dizia que não bastava olhar para as peças que estavam nas salas – o que estava nas cozinhas e nos quintais era tão importante quanto o que estava à vista.”

Museu de Artes e Ofícios

Praça Rui Barbosa, s/nº, centro, Belo Horizonte, MG. Tel.: (31) 3248-8600