Panair do Brasil: Charme no céu

Documentário resgata a história da empresa de aviação Panair

Tiago Cordeiro Publicado em 01/07/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Em julho de 1958, a seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de futebol voltou da Suécia para o Brasil em um avião DC-7, da Panair. Em 1962, os bicampeões vieram do Chile em um outro DC-7, também da Panair. Nessa época, artistas, políticos e empresários tinham prazer em voar com a companhia que levava charme e eficiência para o céu. Mas quando o Brasil foi desclassificado na Copa de 1966, na Inglaterra, já não havia mais Panair. A empresa estava fechada por ordem do governo. O documentário Panair do Brasil, do diretor Marco Altberg, resgata o longo processo de crescimento da empresa e investiga seu declínio.

Essa história de sucesso começou em 1929, quando o americano Ralph O’Neill fundou a companhia Nyrba (New York–Rio–Buenos Aires Line). A empresa foi autorizada a voar no Brasil em janeiro de 1930. Em agosto, O’Neill vendeu a Nyrba para a Pan Am, que fundou a Panair do Brasil. A partir de 1942, as ações da Panair começaram a ser vendidas para acionistas brasileiros. Começava então a fase áurea da companhia, que coincidiu com a presidência de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961).

A partir de 1964, os problemas financeiros somaram-se aos atritos com o regime militar recém-instalado. No dia 10 de fevereiro de 1965, chegava ao presidente da empresa, Celso da Rocha Miranda, um telegrama do ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Eduardo Gomes, anunciando a cassação do certificado de operação e a transferência imediata das linhas para a Varig e a Cruzeiro. Não adiantou a empresa recorrer na Justiça e as famosas aeromoças da Panair protestarem nas ruas. A falência, forçada pelo governo, só seria considerada irregular pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 1984. Sobraram as lembranças de quem entrou num dos aviões da empresa, expressas na música tema do documentário – Saudades dos Aviões da Panair, escrita por Milton Nascimento e Fernando Brant e interpretada por Elis Regina. A letra diz: “Morri a cada dia dos dias que eu vivi/ Cerveja que tomo hoje é apenas em memória/ Dos tempos da Panair”.

Panair do Brasil

Diretor: Marco Altberg