Política por outros meios: Carl von Clausewitz

Com Da Guerra, Carl von Clausewitz revolucionou a teoria militar

Roberto Simon Publicado em 01/07/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Friedrich Engels costumava chamá-lo de “gênio puro”. Vladimir Lênin, de “um dos maiores historiadores militares”. Em 1914, a Alemanha colocou em prática seu plano de guerra. Extensos trechos de sua obra-prima eram citados nos discursos de Adolf Hitler. E até Colin Powell, ex-secretário de Estado americano, disse ter se baseado nele para formular sua estratégia contra o Iraque, em 2003. Afinal, por que Carl von Clausewitz, um general prussiano que atuou na passagem do século 18 para o 19, foi capaz de influenciar tantas personalidades?

A resposta está em um livro. Com Da Guerra, Clausewitz foi o primeiro teórico a explicar os conflitos militares modernos. Seus conceitos estão sintetizados em uma máxima: “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Para ele, a vitória se materializa na destruição física e moral do inimigo. “Guerra é um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade”, ele afirma. Como o desejo de submissão é mútuo, a rivalidade levará as batalhas a seus extremos.

Clausewitz foi capaz de teorizar essa mudança para o conflito absoluto porque ele mesmo foi protagonista dos conflitos militares de sua época. Nascido em 1780 em uma família nobre da Pomerânia, Clausewitz ingressou no Exército prussiano com apenas 12 anos. Aos 13, conheceu o campo de batalha pela primeira vez. Depois, voltou-se para a teoria militar, até que as guerras napoleônicas o lançaram novamente na guerra. Em 1806, na batalha de Auerstadt, foi derrotado pelas forças de Napoleão e enviado preso a Paris. De volta às salas de aula prussianas, em 1815 tornou-se diretor da Escola de Guerra alemã. Reconhecido como intelectual, foi incumbido da educação militar do príncipe herdeiro Frederico Guilherme IV. Quando a coroa da Prússia resolveu se aliar à França, o general se juntou às forças do imperador russo, o czar Alexandre I. Em Moscou, acompanhou de perto a retirada das tropas de Napoleão.

Ao morrer de cólera, em 1831, aos 51 anos, Clausewitz deixou uma pilha de manuscritos teóricos inacabados. No ano seguinte, sua viúva, Marie von Brühl (1779-1836), reuniu esses fragmentos e os publicou. O aspecto fragmentário de Da Guerra (publicado no Brasil pela Martins Fontes) não diminui sua importância. Como o general afirmara antes de morrer, “mesmo incompleta, a obra pode provocar uma revolução na teoria da guerra”. Clausewitz tinha razão.