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Da sífilis de Lenin a ignorância de Stalin: Conheça 5 mitos sobre a Revolução Russa

Novembro de 1917 pautaria a política do século 20 — para tentar repeti-lo ou evitá-lo. No epicentro deste terremoto, muitas lendas e informações erradas foram espalhadas

Fabio Marton Publicado em 09/07/2019, às 08h00

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1. Existiu comunismo 

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A verdade é que houve muito comunista para nenhum comunismo. Comunismo, para Marx, era o estágio final da revolução proletária, o que se segue à ditadura do proletariado (socialismo). Nele, não haveria classes sociais, Estado, leis, opressão, propriedade privada, escassez ou até nações. Quem almejava por isso, inclusive ele próprio, se chamava comunista. É essa a razão de tantos Estados dominados por partidos comunistas nunca se dizerem comunistas, mas “socialistas”, “populares” ou “democráticos”.

2. Lenin morreu de sífilis pega de uma prostituta francesa 

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A teoria é picante e foi defendida, audaciosamente, pelo velho cientista Ivan Pavlov, que tinha certa licença por ser ganhador do Nobel. Ele foi além e disse que “a Revolução foi feita por um louco”. Lenin morreu cedo, de deterioração mental que poderia ser atribuída a sífilis e recebeu tratamento para a doença. Mas a verdade é que não há provas ou testemunhos de que tivesse. Sua autópsia revelou arteriosclerose cerebral.

Seu pai havia morrido com a mesma idade e da mesma causa. Outras teses falam em doença genética ou estresse. 

3. Marx achava impossível a revolução na Rússia 

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Em linhas gerais, o teórico do comunismo acreditava que a Revolução viria em países industralizados e capitalistas. Quase todos os revolucionários russos, inclusive Lenin no começo da carreira, achavam isso também.

Talvez porque não soubessem disto: no final da vida, em suas cartas à revolucionária russa Vera Zasulich, Marx contemplou a possibilidade da passagem direta do feudalismo para o socialismo na Rússia. Um comunismo rural, nada parecido com o de Lenin.

4. Trotsky era "light"

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Certamente Trotsky, que escreveu profusamente contra o rival no exílio, gostava de ser visto como antítese de toda a atrocidade cometida por Stalin. Que, se ele ganhasse, teria sido diferente. Mas o que ele fez na prática? Como líder do Exército Vermelho, foi diretamente responsável por suas atrocidades – pessoalmente supervisionou o massacre de mais de 2 mil pessoas na repressão da Rebelião de Kronstadt, em 1921.

O principal ponto de sua discórdia com Stalin, exportar a Revolução para o resto do mundo, poderia significar um banho de sangue planetário. 

5. Stalin era um simplório ignorante 

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Essa visão vem basicamente de Trotsky, que o retratou como um provinciano sem imaginação ou cultura. Os biógrafos recentes concordam que era calúnia. Quando o grande ditador morreu, ele tinha uma biblioteca de 25 mil volumes – incluindo tudo o que fora banido por seu próprio governo.

Desde os tempos de seminário, Iosif era um leitor incansável, devorando tomos sobre não apenas teoria marxista como história, história militar, filosofia, ciência e linguística. Quanto ao simplório... bem, ele marcava os livros com giz de cera, deixando comentários como “ridículo”, “lixo” e “ha ha”. Mais uma atrocidade.