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Curiosidades / Dinossauros

Como era a vida sexual dos dinossauros?

Embora hoje em dia muito se saiba sobre os dinossauros, uma questão nunca foi respondida com exatidão: como os dinos faziam sexo?

Fabio Previdelli Publicado em 17/07/2022, às 00h00

Imagem ilustrativa do T-rex de Jurassic Park - Universal Studios
Imagem ilustrativa do T-rex de Jurassic Park - Universal Studios

Com o avanço dos métodos científicos, cada vez mais se torna ‘fácil’ entender como era a vida na Terra há milhões de anos, principalmente no que diz respeito aos dinossauros. Como os tricerátops e os estegossauros, que tinham sangue frio, enquanto a maioria dos outros dinos não. 

Ou então que os espinossauros, conhecidos pela enorme “vela” em suas costas, caçavam em águas profundas com a ajuda de seus dentes de 15 centímetros e mandíbulas de crocodilo. 

Enfim, pode até saber-se muito sobre os dinossauros, mas algo que nunca ninguém afirmou com precisão sobre eles é como os dinos faziam sexo. A questão pode até parecer simples, mas uma resolução é muito mais sofisticada do que parece, visto que até hoje os pesquisadores não conseguiram sequer identificar fósseis de machos e fêmeas com precisão. 

O sexo dos dinos

Conforme explica Jakob Vinther, professor de macroevolução na Universidade de Bristol, no Reino Unido, em matéria da BBC, parte desta resolução pode estar no Fosso de Messel, na Alemanha, um rico sítio arqueológico

Para se ter noção da importância do local, pesquisadores já encontraram lá diversos fósseis de animais com o estômago cheio, como um besouro que estava dentro de um lagarto, que por sua vez havia sido ingerido por uma cobra. 

O local também abrigou diversas tartarugas de água doce, sendo alguns casais que parecem ter perecido durante a copulação. E esse fato é essencial para a teoria proposta por Vinther

Fóssil encontrado no Fosso de Messel/ Crédito: Jens L. Franzen e outros via Wikimedia Commons

Segundo estimam os pesquisadores, o Fosso de Messel abriga tantos fósseis intactos por, num passado distante, o local ter sido uma grande armadilha tóxica da natureza. Durante o eoceno (entre 36 e 57 milhões de anos atrás) o local teria sido uma enorme cratera vulcânica repleta de água em suas encostas inclinadas. 

Porém, de tempos em tempos, por ainda estar geologicamente ativa, sua formação liberava nuvens de dióxido de carbono, sufocando quaisquer seres vivos à sua volta. O que deve ter acontecido no meio do ato das tartaruguinhas. 

Mas o que torna a situação mais peculiar é que elas não estavam em uma posição mais habitual, uma em cima da outra, pelo contrário, elas estavam de costas, como se estivessem indo embora, mas permanecendo ligadas pelos seus genitais — principalmente pelo órgão reprodutor do parceiro. 

Eles estão de costas um para o outro, mas com suas caudas sobrepostas", aponta Vinther. "Acredito que eles tenham sido pegos no ato."

Apesar de ser uma teoria altamente especulativa, ela não seria nenhum absurdo, explica o professor, visto que os tiranossauros fossilizados, por exemplo, possuem indiscutíveis paralelos com essas tartarugas. 

Outras forma de amor

Mas existem versões muito menos ambíguas de como os dinossauros se reproduziam. Uma delas diz respeito ao psitacossauro. Em seu escritório, Jakob possui uma enorme representação do dino.

Embora não seja um fóssil real, ela é uma reprodução meticulosamente elaborada para ser a mais fidedigna possível — até as marcas em sua pele são exatamente iguais as listras encontradas em na pele fossilizada original do animal. 

O que chama a atenção é justamente a parte traseira do animal, que muito provavelmente tinha uma cloaca — uma abertura que possui múltiplas finalidades, como defecar, urinar, fazer sexo e até mesmo dar à luz. A cloaca é extremamente comum em vertebrados terrestres, com exceção dos mamíferos. 

Reprodução do Psitacossauros/ Crédito: Divulgação/ Zaira Gorvett

"Você pode então ver, se olhar aqui embaixo [ele aponta para a cloaca do psitacossauro, sob a sua cauda], que existem muitos pigmentos", aponta Vinther. Conforme explica, aquilo nada mais é que melanina, não só importante para o extraordinário nível de preservação do espécime, como também por ajudar nesse quebra-cabeça.

Afinal, a melanina é muito mais do que o composto que dá cor à nossa pele, ela também provém uma camada protetora no fundo dos nossos olhos, por exemplo. Além do mais, é uma importante agente antimicrobiana. Nos répteis, grandes quantidades de melanina são encontradas no fígado. 

"Os insetos, por exemplo... eles usam a melamina como um tipo de sistema imunológico de proteção contra infecções. Se você perfurar em uma traça com uma agulha, por exemplo [o que não recomendamos], haverá secreção de melamina na área em volta do buraco", explica o professor. 

Por isso, muitos animais, o que inclui também os seres humanos, possuem uma alta concentração de melanina em volta dos genitais, o que deixa a pele da região mais escura. E isso também acontece com os dinossauros. 

"Podemos agora reconstruir a morfologia da cloaca e afirmar que ela tinha como que dois lábios que se projetavam desta forma [fazendo um ‘V’ com os dedos]”, aponta Jakob. "E, do lado de fora, eles eram pigmentados. Mas aqui está o interessante, porque não era em volta da abertura, [como seria o lógico] para combater infecções microbianas. Era para chamar atenção."

Sendo assim, o professor especula que alguns dinossauros expunham suas partes traseiras, como os babuínos, para chamar a atenção de seus parceiros. "Eles usam muita sinalização visual", diz Vinther

Acontece que os pássaros modernos são descendentes das aves-dinossauros e, portanto, sabemos que essas espécies contemporâneas possuem uma excelente visão. Diferente dos mamíferos, que enxergam duas cores, as aves podem ver três cores básicas que os humanos enxergam e ainda a luz ultravioleta. 

Vinther acredita que como seus descendentes modernos, os dinos também tinham excelente visão colorida, o que fazia com que espécies sem penas não pensassem outra vez na hora de ‘convocar’ seus parceiros. "Por que não exibir sua cloaca?", indaga.

Embora seja impossível determinar que tipo de órgão um psitacossauro tem, por exemplo, há duas possibilidades que Jakob Vinther acredita que os dinos usavam para se reproduzir: o “beijo cloacal”, quando duas espécies alinhavam suas cloacas e o macho inseria seu sêmen na cloaca da fêmea (como os sapinhos); ou até mesmo de um modo mais familiar, como a penetração de um pênis (como os crocodilos, que também são descendentes diretos dos dinos, fazem).