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Democracia em Vertigem: Um assombro chamado Brasil

Além de render uma indicação ao Oscar, o documentário brasileiro também desperta também a fúria dos simpatizantes de direita, que chamam a obra de ficção e suspeitam de uma Hollywood comunista

Alexandre Carvalho Publicado em 26/01/2020, às 07h00

Brasília, capital do Brasil
Brasília, capital do Brasil - Getty Images

O reconhecimento do Oscar já garantiu ao filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa – também diretora do belo Elena, sobre sua irmã mais velha, que se matou –, um lugar de destaque na história do cinema brasileiro. Rendeu-lhe também a fúria dos simpatizantes de direita, que chamam a obra de ficção e suspeitam de uma Hollywood comunista.

Isso porque o filme conta o conluio parlamentar que depôs a presidente Dilma Rousseff, e como esse impedimento abriu a caixa de Pandora para a ascensão de uma extrema-direita abraçada com as bancadas evangélica, da bala e do agronegócio – e pouco amiga dos caminhos democráticos. Têm razão os que acusam o filme de um “viés de esquerda”. Logo de início Petra revela que seus pais passaram os anos 1970 na clandestinidade, militando contra a ditadura, organizando movimentos de estudantes e trabalhadores.

Na eleição de Dilma, a diretora, ainda bem jovem, dança com a mãe em plena Avenida Paulista, emocionada. E o filme apresenta vasto material de bastidores dos principais personagens do PT, tendendo ao ponto de vista deles.

Opositores do governo Dilma, no dia do impeachment / Crédito: Divulgação

 

Mas não, a obra não é peça de ficção. Se toma partido, como é de direito do cinema – que não é jornalismo –, ela não mente. E também deixa clara a frustração com as práticas que o PT decidiu adotar para se manter no poder (ou para a governabilidade, se você preferir): abraçando a corrupção e fazendo alianças com os políticos mais nefastos do país. Em uma cena que hoje parece inacreditável, Lula se ajeita para uma foto cercado por seus novos aliados, a alta cúpula do PMDB – parece confortável entre Marcelo Crivella, Magno Malta (atual apoiador de Bolsonaro), Renan Calheiros, Sarney, Temer e até Romero “com o Supremo, com tudo” Jucá.

Mais do que contar essa história de ruptura de mandato, o filme reflete o assombro da diretora com a forma como uma imensa parte do país levantou a bandeira – via antipetismo – do retorno à violência de Estado autoritário, de um período que parecia sem volta desde a Nova República.

“Como lidar com a vertigem de ser lançado num futuro que parece tão sombrio quanto nosso passado mais obscuro?”, ela questiona, na narração. “O que fazer quando a máscara da civilidade cai e o que se revela é uma imagem ainda mais assustadora de nós mesmos?” Num trecho do filme, manifestantes gritam nas ruas: “Golpistas, fascistas, não passarão!”. Mas eles passaram.


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