Curiosidades » Entretenimento

A Escavação: um ótimo filme para quem está perdido no catálogo da Netflix

Longa reproduz uma das mais importantes descobertas do Reino Unido

Coluna - Alexandre Carvalho, jornalista Publicado em 03/04/2021, às 09h00

Cena do filme A Escavação
Cena do filme A Escavação - Divulgação/Netflix

Este é um filme imperdível para qualquer interessado em arqueologia. Contando uma história real, apresenta uma das maiores descobertas desta ciência que, por meio de escavação e coleta de artefatos, estuda os costumes e culturas dos povos antigos.

O cenário é uma rica propriedade rural no interior da Inglaterra, em 1939. Em campo aberto, plano, o lugar tem formações misteriosas: elevações artificiais, que só podem ter sido feitas por mãos humanas. Mas por quê? Para esconder algo precioso. A dona do local, Edith Pretty (interpretada por Carey Mulligan), decide descobrir o que aqueles outeiros enterram.

Como os museus não dão bola para sua curiosidade, ela contrata um escavador autodidata, Basil Brown (Ralph Fiennes). De início, ele acredita que o terreno está
assentado sobre um cemitério viking. Mas o que descobre é algo mais raro. Acha uma embarcação inteira, de 27 metros, com capacidade para 40 remadores.

Esse tesouro de madeira é de uma época ainda mais antiga do que qualquer período que Brown pudesse ter imaginado. É anglo-saxão, de um povo que governou, na Idade Média, a região que se tornaria a Inglaterra. E estava ali como um barco-túmulo, guardando o sono eterno de um grande líder e seus pertences.

A descoberta finalmente atrai o interesse do Museu Britânico, e os experts tomam a frente do estudo. Na vida real, encontraram, junto àquele esquife medieval, mais de 250 objetos.

Alguns revelaram uma sofisticação que desmentiu a ideia que a ciência tinha até então daquele povo, considerado rudimentar. Havia ali um capacete ornamentado, joias rebuscadas, uma fivela de ouro cujas gravações entrelaçavam bestas e serpentes.

Cena do filme A Escavação (2020) /Crédito  - Divulgação/Netflix

 

Eram vestígios de uma sociedade que amava a arte. E sua descoberta reescreveu capítulos essenciais da história da Europa.

A Escavação ainda tem a delicadeza de estabelecer um paralelo entre os mortos do passado e o decadente estado de saúde de Edith. No final, o trabalho esplêndido de um escavador sem diploma garantiu eternidade aos anglo-saxões de que pouco se sabia e à mulher que providenciou, por iniciativa própria, aquele renascimento.

Quando, em prantos, Edith faz a analogia contrária, lembrando que todos apodrecemos e morremos – pensando na própria morte, que se aproxima –, Brown abre seus olhos: “Desde a primeira impressão humana na parede de uma caverna, fazemos parte de algo contínuo. Então nós não morremos”.


Alexandre carvalho é jornalista e criou, em 2005, a Revista de Cinema Paisà. É autor dos livros Inveja – como ela mudou a história do mundo (2015) e Freud – para entender de uma vez (2017).


**A seção 'Coluna' não representa, necessariamente, a opinião da Revista Aventuras na História.