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Tesouro de Sutton Hoo: a mulher que escavou a própria casa e encontrou raridades

Em 1939, a revelação de uma embarcação funerária anglo-saxônica chamou a atenção da comunidade arqueológica mundial pela impressionante relação histórica no século 7

Wallacy Ferrari Publicado em 18/07/2020, às 09h00

A escavação em andamento (à esq.) e o principal tesouro encontrado (à dir.)
A escavação em andamento (à esq.) e o principal tesouro encontrado (à dir.) - Divulgação/British Museum

Aficionados por boas paisagens e histórias, o casal Frank e Edith Pretty decidiram comprar um grande terreno em Suffolk, no sul da Inglaterra, em um local popularmente calmo, mas rodeado de boatos.  A propriedade, conhecida como Sutton Hoo, foi adquirida em 1926, logo após o casamento de ambos, e por lá viveram até o fim da união, em 1934, com a morte de Frank.

Certo dia, a viúva decidiu escavar a terra das formações e se deparou com uma cena inacreditável. Logo na primeira escavação, contando com o auxílio do arqueólogo autodidata Basil Brown, Pretty encontrou três túmulos contendo resquícios de restos humanos, ainda em um monte pequeno. A surpresa maior seria em 1939, quando retomou a escavação, mas na maior formação próxima a sua casa.

Fotografia do navio durante sua primeira escavação, em 1939 / Crédito: Divulgação / PACE University

 

O navio fantasma

Em certo ponto da pesquisa, Brown começou a localizar uma série de pregos em intervalos regulares, além de uma massa contendo ferrugem. Cuidadosamente, o arqueólogo foi retirando a terra seguindo a linha da confecção, revelando um longo navio, com mais de 25 metros de comprimento. Com colunas de madeira, uma estrutura impressionante surgiu sob o monte, contendo diversos artefatos.

Para acelerar as buscas, Charles Phillips, da Universidade de Cambridge, foi chamado para reconhecer os itens da relíquia. Com a estrutura inteiramente limpa, os três passaram a verificar cada um dos itens e encontraram novos caixões, contendo restos mortais inteiros ou partes de esqueletos. O assentamento revelou também 263 objetos, que seriam conduzidos para catalogação.

Com o auxílio de Charles, a equipe conseguiu concluir que a estrutura encontrada tratava-se de uma confecção anglo-saxônica, e não viking, como anteriormente proposto por Pretty. Com a coleta encerrada, a condução dos objetos para limpeza e análise era feita, mas a equipe ainda se impressionava com a visão da consulta espiritual, que literalmente indicou a presença de corpos no local.

Alguns dos tesouros encontrados na embarcação funerária de Sutton Hoo / Crédito: Divulgação/Flickr

 

Orgulho anglo-saxão

A descoberta foi amplamente coberta pela imprensa como o maior enterro de um navio anglo-saxão já encontrado na história da arqueologia. Parte dos artefatos nunca haviam sido vistos e representavam um pedaço importante da história britânica; itens mais simples, como moedas e talheres condiziam com as anteriormente já armazenadas em museus nacionais, mas novos objetos, como armas, fivelas, distintivos e um impressionante capacete jogavam luz a essa cultura.

Com a Segunda Guerra próxima de estourar, os itens da pesquisa foram guardados no subsolo de Londres, dentro de túneis do sistema ferroviário da cidade. Edith, principal responsável pela descoberta, fez questão de doar todos os artefatos ao British Museum gratuitamente, como uma forma de enaltecer o patriotismo durante o confronto diplomático que o país vivia.

Com o fim da batalha, os itens de Sutton Hoo foram estudados e parcialmente identificados, com diversos objetos datados e atribuídos ao Império Bizantino e ao Oriente Médio, compreendendo que a embarcação funerária também servia para auxiliar em transações comerciais dos anglo-saxões por todo o continente europeu.


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