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A impressionante história real por trás do filme ‘A Escavação’, da Netflix

Em 1939, uma das maiores descobertas arqueológicas da Europa foi feita por uma viúva que decidiu escavar o próprio terreno com o auxílio de um arqueólogo

Wallacy Ferrari e Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/02/2021, às 15h00 - Atualizado às 22h52

Divulgação do filme 'A Escavação' (2021) da Netflix
Divulgação do filme 'A Escavação' (2021) da Netflix - Divulgação - Netflix

A arqueologia é um tema tratado em diversos filmes de renome, como A Lenda do Tesouro Perdido, A Múmia e até mesmo em produções como Indiana Jones. A maioria deles, porém, trata de temas ficcionais, não sendo baseados em fatos, e também podem exagerar nas descobertas arqueológicas feitas.

‘A Escavação’ é diferente. Lançado em 14 de janeiro deste ano na Netflix, o filme foi dirigido por Simon Stone, mas é baseado no livro de John Preston, publicado em 2007. O romance, cujo nome em inglês é ‘The Dig’, conta a história das escavações arqueológicas que aconteceram em uma propriedade conhecida como Sutton Hoo, no sul da Inglaterra. 

O episódio em questão aconteceu em 1938, mas, após um ano do projeto, uma das mais importantes descobertas do Reino Unido foi feita: uma embarcação funerária anglo-saxônica foi encontrada, chamando a atenção da comunidade arqueológica mundial pela impressionante relação histórica no século 7. 

A produção, portanto, é baseada em uma história real, mas conta com elementos ficcionais para a construção da narrativa. Ainda assim, é possível afirmar que os personagens mais importantes do longa, como Edith Pretty, interpretada por Carey Mulligan, e o arqueólogo Basil Brown, vivido por Ralph Fiennes, são baseados nas pessoas reais que viveram esse acontecimento.

Pensando nisso, a Aventuras na História decidiu contar a história real que inspirou o filme ‘A Escavação’. Confira a seguir!

Fotografia do navio durante sua primeira escavação, em 1939 / Crédito: Divulgação - PACE University

 

A história real

Aficionados por boas paisagens e histórias, o casal Frank e Edith Pretty decidiu comprar um grande terreno em Suffolk, no sul da Inglaterra, em um local popularmente calmo, mas rodeado de boatos. A propriedade, conhecida como Sutton Hoo, foi adquirida em 1926, logo após o casamento dos dois, e por lá viveram até o fim da união, em 1934, com a morte de Frank.

Certo dia, a viúva decidiu escavar a terra das formações e se deparou com uma cena inacreditável. Logo na primeira escavação, contando com o auxílio do arqueólogo autodidata, Basil Brown, encontrou três túmulos contendo resquícios de restos humanos, ainda em um monte pequeno. A surpresa maior seria em 1939, quando retomou a escavação, mas na maior formação próxima a sua casa.

Em certo ponto da pesquisa, Brown começou a localizar uma série de pregos em intervalos regulares, além de uma massa contendo ferrugem. Cuidadosamente, o arqueólogo foi retirando a terra seguindo a linha da confecção, revelando um longo navio, com mais de 25 metros de comprimento. Com colunas de madeira, uma estrutura impressionante surgiu sob o monte, contendo diversos artefatos.

Alguns dos tesouros encontrados na embarcação funerária de Sutton Hoo / Crédito: Divulgação/Flickr

 

Para acelerar as buscas, Charles Phillips, da Universidade de Cambridge, foi chamado para reconhecer os itens da relíquia. Com a estrutura inteiramente limpa, os três passaram a verificar cada um dos itens e encontraram novos caixões, contendo restos mortais inteiros ou partes de esqueletos. O assentamento revelou também 263 objetos, que seriam conduzidos para catalogação.

Com o auxílio de Charles, a equipe conseguiu concluir que a estrutura encontrada tratava-se de uma confecção anglo-saxônica, e não viking, como anteriormente proposto por Pretty. Com a coleta encerrada, a condução dos objetos para limpeza e análise foi feita por especialistas. 

Orgulho anglo-saxão

A escavação em andamento (à esq.) e o principal tesouro encontrado (à dir.) / Crédito: Divulgação/British Museum

 

A descoberta foi amplamente coberta pela imprensa como o maior enterro de um navio anglo-saxão já encontrado na história da arqueologia. Muitos dos artefatos nunca tinham sido vistos anteriormente, representando um pedaço importante da história britânica.

Novos objetos como armas, fivelas, distintivos e um impressionante capacete jogavam luz a essa cultura, pela primeira vez na história da região. Mas, ainda assim, outros objetos mais simples também foram encontrados, como moedas e talheres, que já existiam aos montes em em museus nacionais. 

Com a Segunda Guerra próxima de estourar, os itens da pesquisa foram guardados no subsolo de Londres, dentro de túneis do sistema ferroviário da cidade. Edith, principal responsável pela descoberta, fez questão de doar todos os artefatos ao British Museum gratuitamente, como uma forma de enaltecer o patriotismo durante o confronto diplomático que o país vivia.

Com o fim da batalha, os itens de Sutton Hoo foram estudados e parcialmente identificados, com diversos objetos datados e atribuídos ao Império Bizantino e ao Oriente Médio. Descobriu-se que a embarcação funerária também servia para auxiliar em transações comerciais dos anglo-saxões por todo o continente europeu.


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