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Estrogonofe: o prato que nasceu na Rússia dos czares do século 19

Como era servido o prato que hoje está na mesa de todos os brasileiros?

Izabel Duva Rapoport Publicado em 02/05/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de Fernando Sadao Shiraishi por Pixabay

Servir estrogonofe já foi sinônimo de sofisticação. E não só aqui no Brasil dos anos 70, quando a iguaria era comida de festa, sempre acompanhada de arroz e batata frita.

Seu requinte vem de berço: nasceu na Rússia dos czares, no século 19, dentro de uma família nobre de São Petersburgo chamada Stroganov. O difícil mesmo é saber de qual dos membros da parentada surgiu a receita.

Alguns historiadores atribuem a criação ao cozinheiro do conde e diplomata Pavel Alexandrovich Stroganov, um comandante militar ativo na política do reinado de Alexandre I (1777-1825).

De origem francesa, seu cozinheiro, Charles Briere, combinava a forma tradicional de dourar e flambar carne na França com o smetana, o clássico creme azedo russo – um dos
ingredientes mais utilizados até hoje na culinária do país.

Outros pesquisadores, porém, creditam a criação da receita a um cozinheiro que trabalhava na corte do czar Pedro, o Grande (1682-1721), e era protegido por um general da família Stroganov que frequentava o lugar.

Na mesa do monarca, nada de arroz e batata frita. O estrogonofe era servido com purê de batata, salada de repolho, tomate e picles.

Após a Revolução Russa de 1917, com a fuga da nobreza, o prato chegou em outros países da Europa, como a França.

Lá, recebeu a adição de champignon e manteve toda a sua pompa até se popularizar na Segunda Guerra Mundial, quando os soldados russos levavam carne cortada em tiras em barris com sal grosso e aguardente.

Na hora do preparo, eles fritavam a carne com cebola e colocavam smetana. Nos Estados Unidos, o estrogonofe ganhou uma versão com creme de leite e ketchup.

E, assim, ganhou o mundo e, claro, o coração dos brasileiros.


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