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Falta de carisma e crânio incomum: o verdadeiro rosto do ditador romano Júlio César

Uma reconstrução da face do governante, feita em 2018, desmentiu as versões romantizadas do tirano

Vanessa Centamori Publicado em 03/08/2020, às 15h10

Rosto reconstruído de Júlio César em 3D
Rosto reconstruído de Júlio César em 3D - Museu Nacional de Antiguidades em Leiden/Divulgação

Em 46 a.C, Júlio César estava sedento pelo poder. Chegou ao trono em Roma após uma terrível guerra civil contra nobres conservadores. Os oficiais que o apoiaram na batalha sangrenta acreditaram que ele compartilharia poder político e riqueza depois da conquista — mas a ambição de César o fez se autodeclarar ditador perpétuo. 

O homem se tornou déspota e um instrumento essencial na transformação da república de Roma em império. Retratado bonito e poderoso nos filmes, acreditava-se que César foi um governante com olhos negros e um tufo de cabelos poderosos. Entretanto, as descrições mudaram bastante em 2018, quando arqueólogos holandeses reconstruíram o rosto do líder romano em 3D. 

Revelações 

O resultado foi uma aparência nada elegante, ao contrário do que se imaginava. O rosto realmente tinha olhos pretos, mas também uma saliência peculiar e bem protuberante na cabeça. Além disso, os cabelos de César eram grisalhos e marcados por uma nada lisonjeira calvície. 

Busto de Júlio César, que auxiliou na reconstrução em 3D / Crédito: Museo di Antichità, de Turín/Divulgação

 

A reconstrução da aparência do ditador romano foi realizada por especialistas do Museu Nacional de Antiguidades em Leiden, na Holanda. Para reconstruir o rosto, eles escanearam dois bustos de mármore que retravam o general, bem como imagens de moedas antigas.

A seguir, a antropóloga Maja d'Hollosy, que é especialista em reconstrução facial de figuras históricas, utilizou argila e silicone para modelar o rosto de Júlio César. Quando notaram que o crânio do líder romano tinha um formato tão incomum, foi uma grande surpresa. Mas o que poderia ter-lhe dado essa característica física?

Hipótese 

Havia boatos de que a mãe de Júlio César, Aurélia Cota, morreu durante o nascimento do futuro ditador. O parto teria ocorrido por uma suposta cesariana, que era uma prática comum para salvar a vida dos bebês no ventre de mães mortas ou moribundas. 

Desse modo, a deformação do crânio do governante supostamente poderia ter relação com a forma conturbada na qual ele nasceu. Entretanto, o conhecimento popular que relaciona o nome cesária com o imperador não é verdadeiro. Historiadores acreditam que César não veio ao mundo por cesariana, pois a mãe dele viveu o suficiente para testemunhar as expedições de seu filho à Grã-Bretanha.

Por isso, D'Hollosy e o co-autor do estudo, o arqueólogo Tom Buijtendorp, não confirmam a hipótese equivocada. Eles optaram por acreditar que o formato da cabeça de César tenha se tornado peculiar por "causas naturais".

Um dos bustos usados como inspiração para reconstruir o rosto de Júlio César / Crédito: Museu Nacional de Antiguidades em Leiden/Divulgação

 

Além disso, segundo Buijtendorp, não há chances de que o crânio saliente do ditador simplesmente tenha sido imaginado pelos artistas dos bustos antigos — particularmente, isso não seria comum na época, marcada pelo realismo. Então, César tinha realmente uma testa saliente e feições pouco simpáticas.

Falta de carisma 

Mas não só a parte ossuda dava a Júlio César cara nada carismática. A falta de alegria nas representações também, então isso foi demonstrado no molde em 3D. "Não quis deixá-lo com uma expressão feliz e amigável", afirmou a antropóloga que moldou a reconstrução, ao jornal HLN. "Ele era um general cujo trabalho era lidar com cadáveres". 

Não por acaso, a cobiça pela guerra e a atitude de César acabou gerando inimigos. A manobra que o colocou no poder não foi bem vista pelo senado, que decidiu eliminá-lo. Ele queria deixar Roma em 18 de março de 44 a.C e seguir para uma campanha militar. Entretanto, isso não foi possível: três dias antes, ocorreu uma emboscada, orquestrada por Cássio e Brutus (senadores romanos). 

Em 15 de março de 44 a.C, em um encontro com o senado, o governante foi abordado por Tílio Cimbro, que apresentou uma petição, mas que era só um pretexto para não causar suspeitas. Por fim, Júlio César foi atacado pelos senadores, sendo ferido com 23 punhaladas até a morte. 


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