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Galeão Nuestra Senõra de las Maravillas: O navio que causou o próprio naufrágio

O galeão armou uma confusão que gerou o próprio naufrágio e um mistério que já dura três séculos

Jorge de Souza Publicado em 19/08/2019, às 08h10

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No século 17, o galeão Nuestra Señora de las Maravillas armou uma confusão que gerou o próprio naufrágio e um mistério que dura até hoje: onde foi parar a parte mais valiosa do seu tesouro?

A noite estava escura e sem lua na perigosa região dos baixios das Bahamas, naquele 4 de janeiro de 1656. Uma tempestade se aproximava. O capitão do galeão espanhol, que liderava uma flotilha de 22 naus abarrotadas de ouro e prata extraídos das minas da América Central, sentiu-se no dever de alertar os colegas das demais embarcações sobre os riscos da navegação daquelas águas tão rasas.

Disparou, então, um tiro de canhão que podia ser ouvido a distância. Mas os outros capitães não entenderam o sinal. Julgando que a primeira nau estava sendo atacada por piratas — e por isso fizera o disparo — as tripulações dos demais galeões entraram em pânico, executaram manobras desesperadas e passaram a disparar seus canhões contra um inimigo que não existia. No tumulto, um dos galeões colidiu com o próprio Maravillas, que começou a afundar rapidamente.

Vendo que sua nau não aguentaria muito tempo, o capitão do galeão abalroado — o mesmo que, involuntariamente, causara tudo aquilo — deu ordens para rumar exatamente para as águas rasas que tanto temia. O objetivo era fazer com que o navio afundasse numa região de pouca profundidade para, mais tarde, facilitar o resgate da fortuna que transportava.

Nos baixios, já açoitado pelas ondas da tempestade que se aproximava, o Maravillas durou pouco. E logo se partiu em dois. A proa afundou na hora, levando junto muitos homens. Mas a popa, justamente onde estava a maior parte da carga milionária, foi empurrada pelos ventos para longe, antes de também sucumbir no oceano. Só que nunca se soube onde.

É justamente nesta dúvida — onde estará a popa do Maravillas? — que reside o fascínio de um mistério que dura até hoje. Três séculos se passaram até que, um dia, no início da década de 1970, a âncora de um barco de pesca enganchou em algo no fundo daqueles baixios. Os pescadores acharam um velho canhão. Depois, garrafas, pedaços de ferro, moedas. Era a proa do Maravillas, cuja localização, com o tempo, também havia sido perdida. Mas, da popa, nenhum sinal.

Até que, em 1990, outros pescadores acharam uma lancha naufragada não muito distante do ponto onde jaziam os restos da proa do Maravillas. Dentro dela, havia objetos do galeão, indicando que haviam pessoas saqueando os escombros. Mas, e se a lancha estivesse vindo da popa — e não da proa — da nau perdida? E se os ocupantes tivessem encontrado a parte valiosa do tesouro e não revelado, antes de afundar também?

Entre outras preciosidades, o Maravillas transportava esmeraldas de mais de 100 quilates, cerca de 40 toneladas de ouro e uma imagem da Virgem Maria em tamanho quase real, feita do mesmo material. No total, calcula-se que aquela nau levava o equivalente a cerca de quatro bilhões de reais, em dinheiro de hoje.

Seria, portanto, o mais rico galeão naufragado conhecido da História. E, ao que tudo indica, a maior parte da fortuna continua no fundo do mar de algum ponto dos baixios das Bahamas, à espera do sortudo que, finalmente, responda a pergunta que intriga há mais de três séculos: onde está a popa do Maravillas?