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Luciferianos: Os seguidores da doutrina que enxerga Lúcifer como o injustiçado na Bíblia

A filosofia luciferianista, surgiu no século 13, na Alemanha, e não é o mesmo que satanismo

Alana Sousa Publicado em 03/07/2019, às 14h00

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Em Houston, Texas, fica uma das igrejas menos convencionais do mundo. Alvo constante de vandalismo, o local sofre ataques de intolerância religiosa por sua opção de fé: venerar o capeta. A Greater Church of Lucifer (Maior Igreja de Lúcifer) foi fundada em 2015 para reunir os desgarrados que seguem a malvista doutrina do luciferianismo. Um pessoal que acredita que, a despeito do que dizem os cristãos, Lúcifer foi o verdadeiro injustiçado nos contos bíblicos.

Os primeiros registros da origem da Igreja Luciferiana são das regiões de Colônia, Mainz e Trier, na Alemanha, e datam de meados do século 13. A filosofia do luciferianismo busca a Sabedoria da Luz. Geralmente reverencia Lúcifer não como o Diabo, mas como um libertador ou até um espírito-guia. Há ainda os que se referem a ele como um amigo ou professor. Essa ideia de ligar à luz uma entidade geralmente relacionada às trevas tem a ver com a forma como os povos antigos chamavam Lúcifer: ele era a estrela da manhã, uma expressão usada na Bíblia para se referir aos anjos.

Os crentes do luciferianismo estudam os mitos associados a Lúcifer. Histórias que seguem uma entidade que disseminaria o conhecimento e a rebelião.

Nesses mitos, temos as entidades luciferianas, na maioria das vezes figuras angelicais com um toque de rebeldia. Entre elas estão Samael, o Veneno de Deus, que se rebelou contra o criador e deu sua luz ao homem na forma do fruto proibido. Também há Azazel, o Anjo Caído, que ensinou aos homens o segredo da forja e dos cosméticos. E Prometeu, o titã da mitologia grega que roubou o fogo dos deuses do Olimpo e o entregou aos homens. O denominador comum é a rebelião contra o poder divino e o desautorizado empoderamento do ser humano.

Um luciferiano se espelha nessas entidades para as suas atitudes e filosofia de vida. Ele deve conhecer luz e trevas em seu caminho, nunca se prendendo a nada e sendo independente para fazer o que quiser. Tenta ultrapassar seus limites internos para então alcançar a evolução.

Em 1233, o papa Gregório IX lançou uma inquisição contra os luciferianos, após descobrir que faziam uso de gatos pretos em suas seitas. Rituais sem nenhuma comprovação histórica.

Para os piadistas que sugeririam ao ex-presidente Temer frequentar essa Igreja, fica uma dica: luciferianismo não é a mesma coisa que satanismo. Apesar de ambos terem a figura de Lúcifer como principal ponto de adoração, o luciferianismo não nega o cristianismo, e não pretende ser oposição. Já o satanismo tem por essência a inversão de práticas e crenças cristãs. É diabólico na concepção clássica.