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Os enigmas de Merit Ptah, considerada primeira médica da História

Símbolo feminista nos dias atuais, historiadores debatem sobre a existência de Merit

Giovanna Gomes Publicado em 09/12/2020, às 16h29

Representação de Merit Ptah
Representação de Merit Ptah - Wikimedia Commons

De acordo com os livros de História e também com a cultura popular, Merit Ptah foi uma cientista egípcia que teria sido a primeira médica da história no período em torno de 2700 a.C.

Símbolo feminista, ela contava com o título de "médica chefe" inscrito na tumba de seu filho. No entanto, recentemente, uma nova tese historiográfica sugeriu o que ninguém imaginava: Merit Ptah nunca existiu ou, pelo menos, não como imaginávamos. 

A reviravolta

Merit Ptah se tornou conhecida no ano de 1938, quando a médica e historiadora Kate Campbell Hurd-Mead publicou um livro que mencionava a cientista. Segundo a pesquisadora, ela teria vivido em 2730 a.C.

Na obra, Kate diz que uma imagem da mulher havia sido gravada na tumba de seu filho, que era um importante sacerdote na época. Contudo, um estudo da Universidade do Colorado notou um ponto de incongruência nesta tese. 

Kate Campbell/ Crédito: Divulgação

 

Segundo os estudiosos que decidiram revisar a narrativa, a tumba referenciada pela historiadora estaria localizada no Vale dos Reis, uma área reservada para nobres e faraós.

Porém, o local somente começou a ser utilizado por volta de 1540 a.C., quase mil anos após a morte da cientista. Além disso, a mulher foi representada com vestimenta e a posição corporal diferente das que eram características dos médicos da época.

De acordo com Jakub Kwiecinski, o historiador que liderou o estudo, “o nome Merit Ptah existiu no Império Antigo, mas ele não aparece em nenhuma das listas dos antigos curadores egípcios.”

A cientista também não é mencionada nas listas de administradoras do Império. No entanto, a constatação não exclui a existência de uma médica ná época.

Representação de Merith Ptah/ Crédito: Divulgação/ University of Colorado Anschutz Medical Campus

 

E agora?

É provável que a verdadeira detentora do título se chamava Peseshet, que teria vivido no Egito Antigo em 2400 a.C. Suas informações foram reveladas durante uma escavação em Giza, ao norte do Vale dos Reis. Na tumba de seu filho, Akhethetep, foi mencionada como “supervisora das mulheres curandeiras”.

Além disso, o nome de Peseshet já havia sido mencionado em livros e artigos anteriores a 1938, mas sem o título de "primeira mulher médica da história."

Tumba de Akhethetep em Saqqarah/ Crédito: Domínio Público

 

Ainda pensando nisso, Kwiecinski acredita ainda que o livro de Kate tenha trocado as identidades por engano. Entretanto, a confusão ocorrida não diminui a importância desse exemplo, mas "mostra como esses modelos têm sido importantes para a entrada de mulheres na ciência e medicina”, declarou.


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