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Óvulo em formação é descoberto em fóssil de pássaro antigo de 110 milhões de anos

Descoberta pode revelar características sobre o modo de vida das aves

Joseane Pereira Publicado em 25/03/2019, às 10h38

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Divulgação

Paleontólogos descobriram um óvulo aberto dentro de uma ave fossilizada. O achado, pertencente a um fóssil de 110 milhões de anos do período Cretáceo, contém vestígios do óvulo e de um osso modular. É a primeira vez que os paleontólogos encontram esses dois elementos juntos em um fóssil tão antigo. Os resultados foram divulgados por Alida Bailleul e Jingmai O'Connor, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências.

O fóssil, da espécie Avimaia schweitzerae, é singular para a ciência embora pertença a um grupo bem documentado de pássaros antigos conhecidos como Enantiornithes. Esta família de pássaros viveu mais de 100 milhões de anos atrás, ao lado de dinossauros como o Tiranossauro e o Tricerátopo, e uma característica interessante é que eles nasciam com penas de voo, o que sugere que voavam logo após a eclosão, fugindo rapidamente de possíveis predadores. 

A descoberta é “o mais antigo caso documentado de um distúrbio reprodutivo comum”, dizem os pesquisadores. Curiosamente, a casca de ovo apresenta esferas microscópicas de fosfato de cálcio, que é visto hoje em aves que se aninham em ambientes úmidos e propensos a infecções. Esta impermeabilização sugere que a espécie se aninhava perto da água, enterrando seus ovos no solo.

Interpretação artística da Avimaia schweitzerae / Ilustração de Michael Rothman

 

O fóssil foi encontrado no noroeste da China e seu esqueleto consiste na metade inferior da coluna, pelve, membros posteriores e vestígios de penas. A condição dos fragmentos de casca de ovo, no entanto, sugere fortemente que o sistema reprodutivo da ave não estava funcionando adequadamente, resultando na morte do espécime.

A análise do fóssil também demonstrou vestígios de um único tecido reprodutivo chamado osso medular, que atua como um reservatório de cálcio para o óvulo em desenvolvimento. "Este espécime de ave do mesozóico é o único que eu conheço que preserva tanto um óvulo quanto o osso medular", disse Michael Pittmann, paleontólogo da Universidade de Hong Kong. “Ele fornece a melhor evidência até agora de uma ave precoce do sexo feminino que estava reprodutivamente ativa. O fóssil também fornece uma visão inestimável sobre a reprodução dos Enantiornitinos, um grupo diversificado de pássaros primitivos que dominaram o Cretáceo e saíam correndo de seus ovos, talvez prontos para voar para longe".