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Por que setembro não é o mês sete e outubro o mês oito?

Muito antes da sequência que conhecemos e aplicamos anualmente, o calendário romano usava o ciclo da lua como base

Roberta Faria Publicado em 05/09/2021, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/ Pixabay/ GDJ

No passado, os meses, de fato, seguiam uma ordem em referência aos seus nomes. Setembro era o mês sete, outubro o oito, novembro o nove e dezembro o dez — isso até janeiro e fevereiro serem inventados, no século 8 a.C.

Acontece que o calendário romano original, obra do primeiro rei latino, Rômulo, era baseado na lua e tinha dez meses, ou 304 dias. Martius, aprilis, maius e junius eram os primeiros, com nomes dedicados a deuses e eventos, como o início das plantações.

Os meses seguintes eram contados em latim: quintilis, sextilis, septembre, octobre, novembre e decembre. Como o calendário seguia o ciclo lunar, as estações do ano, ligadas ao sol, caíam em épocas diferentes.

Para minimizar o problema, o rei Numa Pompílio, que sucedeu Rômulo em 717 a.C., criou mais dois meses, janus e februare, para anteceder março. Janeiro, dedicado a Jano, deus que representava entradas e saídas, se tornou o mês número 1 para trazer bons presságios. A homenagem fez os meses de nomes numéricos perderem o sentido.

“O uso se manteve pelo costume”, afirmou o arqueólogo Pedro Paulo Funari. Em 45 a.C., após conhecer os métodos orientais de determinar o tempo, o imperador Júlio César reformou novamente o calendário. A folhinha romana se tornou solar, alinhada ao ciclo das estações, e com os 365 dias que usamos hoje.

Graças à reforma, o senado escolheu quintilis para homenagear o imperador, e o sétimo mês virou julius. Mais tarde, a mesma honra foi concedida a Augusto, cujo nome transformou sextilis, o oitavo mês, em agosto.