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Curiosidades / A Sociedade da Neve

A Sociedade da Neve: Veja detalhes da história real que não estão no filme

Baseado em uma das maiores tragédias da história da aviação, A Sociedade da Neve não incluiu alguns detalhes interessantes da verdadeira história

por Thiago Lincolins

tlincolins_colab@caras.com.br

Publicado em 15/01/2024, às 19h33 - Atualizado em 31/01/2024, às 19h03

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Roberto Canessa: Realidade e ficção - Divulgação/Roberto Canessa e Divulgação/Netflix
Roberto Canessa: Realidade e ficção - Divulgação/Roberto Canessa e Divulgação/Netflix

No dia 13 outubro de 1972, um avião que levava a equipe de rugby uruguaia 'Old Christians Club', do Uruguai ao Chile, acabou colidindo com uma montanha na Cordilheira dos Andes. Além dos jogadores, o voo também contava com familiares e amigos, totalizando 45 passageiros.

Em uma história surpreendente e inacreditável, os sobreviventes precisaram encarar o frio, o isolamento, a fome e o medo do resgate nunca chegar. Em determinado momento, após um acordo, eles chegaram a conclusão que, para sobreviver, teriam que comer os corpos das vítimas da tragédia. 16 pessoas foram resgatadas no final do pesadelo. 

De tão impressionante, a saga de sobrevivência inspirou o filme 'A Sociedade da Neve'. Juan Antonio Bayona, diretor do longa, adaptou o livro de mesmo nome lançado pelo jornalista Pablo Vierci, que entrevistou os sobreviventes do acidente.

Bayona precisou cumprir o desafio de adaptar mais de 70 dias de história em um filme de duas horas. Com isso, alguns detalhes da tragédia aérea acabaram ficando de fora do longa. Entenda abaixo!

1. Parada na Argentina

Um detalhe interessante da história da tragédia ficou de fora do longa. Antes de colidir com uma montanha na Cordilheira dos Andes, o avião parou em Mendoza, na Argentina, diante das péssimas condições climáticas. 


2. Canibalismo

Quem assistiu ao filme, notou que muitos dos personagens, assim como os passageiros da tragédia, eram católicos devotos. Enquanto debatiam se deveriam se alimentar dos corpos das vítimas da tragédia, acreditavam que poderiam ser punidos aos olhos de Deus se usassem os corpos como alimento.

O filme não mostrou, entretanto, que a Igreja Católica deu apoio aos sobreviventes. Esse fato é documentado pelo sobrevivente Fernando 'Nando' Parrado em seu livro 'Milagre nos Andes'. 

"Logo após o resgate, membros da Igreja Católica anunciaram que, de acordo com a doutrina da Igreja, não havíamos cometido pecado ao comer a carne dos mortos. Conforme Roberto argumentara na montanha, eles disseram ao mundo que o pecado seria termos nos permitido morrer", escreve ele no livro. "Porém, fiquei mais contente com o fato de que muitos dos pais dos rapazes que morreram nos apoiaram publicamente, dizendo ao mundo que entendiam e aceitavam o que tínhamos feito para sobreviver".


3. Ataques

Ainda pensando no tópico acima, o filme também não mostrou como os sobreviventes sofreram com a reação pública por recorrerem aos corpos das vítimas, explica o Screen Rant. Após tudo que vivenciaram na Cordilheira dos Andes, a integridade dos sobreviventes foi questionada após terem tentado esconder a versão do canibalismo.

Além de ataques, a imprensa da época até mesmo especulou que os rapazes haviam matado os colegas que faleceram durante a tragédia, uma alegação infundada e sem provas. 

Cena do filme 'A Sociedade da Neve' - Divulgação/Netflix

Em 'Milagre nos Andes', Nando relembrou, além do sensacionalismo, que a história de sobrevivência foi celebrada pelas pessoas como uma 'aventura'.

"Nossa provação era celebrada como uma gloriosa aventura. As pessoas comparavam nosso feito à conquista heroica do time de futebol uruguaio que ganhara a Copa do Mundo de 1950. Algumas pessoas chegavam a me dizer que invejavam minha experiência nos Andes e queriam ter estado lá comigo", escreve ele. "Não sabia como explicar para elas que não havia glória alguma naquelas montanhas. Havia apenas feiura, medo e desespero, além da obscenidade de presenciar tantas pessoas inocentes morrerem. Também fiquei chocado com o sensacionalismo utilizado por muitos dos veículos de imprensa na cobertura sobre o que havíamos comido para sobreviver". 


4. Fumaça

Outro detalhe que também ficou de fora do filme é o fato que os sobreviventes, em diferentes momentos, tentaram queimar itens, explica o Screen Rant. No entanto, como não contavam com muitos objetos, as tentativas foram em vão. 

"Tínhamos isqueiros e podíamos acender uma fogueira com facilidade, mas havia muito pouco material inflamável na montanha. Queimamos todo o dinheiro em papel que tínhamos — cerca de $7.500 viraram fumaça — e achamos pedaços de madeira no avião para alimentar duas ou três fogueiras pequenas, mas elas se consumiam com muita rapidez e o breve luxo do calor só fazia com que o frio parecesse pior quando as chamas se apagavam", explica o sobrevivente no livro.


5. A estrada 

Como mostra o filme, Roberto Canessa e Nando Parrado foram os responsáveis pelo resgate do grupo. No entanto, o filme deixou de fora o fato de Canessa observou uma estrada enquanto eles caminhavam em busca de ajuda. 

Enquanto debatiam o melhor caminho a seguir, chegaram a conclusão de que deveriam continuar o trajeto pela Cordilheira dos Andes: acreditavam que estavam muito mais perto do Chile do que a realidade. Anos depois, eles perceberam que poderiam ter acabado com o pesadelo 'mais cedo' se tivessem seguido pela estrada. 

Momento em que Canessa e Parrado decidem buscar ajuda em 'A Sociedade da Neve' - Divulgação/Netflix

Em 'Milagre nos Andes', Nando Parrado explica por que não decidiu arriscar o plano do colega. "A montanha deve estar a uns 40 quilômetros de distância — eu disse. — Se formos até lá, escalarmos até aquela linha escura e descobrirmos que é só uma camada de xisto, não vamos ter forças para voltar", registrou ele.


6. Presidência

No final do filme, o público confere como dois dos sobreviventes conseguiram escapar da Cordilheira dos Andes e o resgate dos colegas. No entanto, um fato curioso que ficou de fora é que Roberto Canessa formou-se médico e passou a trabalhar como palestrante motivacional. Em 1994, ele concorreu à presidência do Uruguai, todavia, não venceu. No filme, inclusive, ele faz uma participação especial como o médico que atende o ator que o interpreta. 

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