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Validada pelo Papa, mas sem evidências sólidas: 5 fatos sobre a caça às bruxas no passado

A perseguição à bruxaria se tornou um mecanismo efetivo da Igreja Católica, que contava com legislação e literatura ao seu favor

Isabela Barreiros Publicado em 12/12/2020, às 08h00

Ilustração de um julgamento de Salem
Ilustração de um julgamento de Salem - Getty Images

Com a criação da Inquisição no século 12, a Igreja Católica passou a ter um controle ainda maior na forma de vida das pessoas. Para eliminar as “heresias”, e guiar os indivíduos aos ensinamentos cristãos, os métodos de punição eram os mais diversos. Isso não durou pouco: séculos depois, a suposta bruxaria começou a ser o foco da instituição.

A caça às bruxas teve seu auge nos séculos 16 e 17, tornando-se uma prática comum na Europa e nas colônias americanas. Estima-se que a própria Inquisição tenha matado pelo menos 100 mil pessoas, entre eles homens, mulheres e até mesmo crianças. E a grande maioria dessas mortes apenas por ignorância e preconceito. 

A Aventuras na História separou 5 fatos sobre a perseguição às bruxas no passado. Confira!

1. Bruxas e magos

Julgamentos em Salem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mulheres foram as mais perseguidas durante a caça às bruxas, e isso é um fato. A misoginia fez com que elas sofressem mais sob a Inquisição quando fugiam dos padrões conservadores e puritanos estabelecidos pela sociedade da época. Filhos de mais, de menos, ricas ou pobres, com comportamentos “duvidosos”, tudo isso era motivo para morte.

No entanto, ao longo desses séculos de intolerância, não apenas mulheres foram perseguidas pela Igreja Católica, acusadas de bruxaria. Homens e até mesmo crianças também passaram pela opressão. Eles eram chamados muitas vezes de magos ou feiticeiros e também foram submetidos aos tribunais sem fundamentos.


2. Sem evidências

Embora a caça às bruxas tenha se estendido por séculos, matando milhares de pessoas, a maioria dessas acusações não continha nenhuma evidência sólida. A perseguição usava julgamentos, com recursos legais, para assassinar essas pessoas, mas geralmente apresentavam evidências “espectrais” para fundamentar as acusações.

Alguns exemplos de testemunho eram o da visão do espírito ou forma espectral da pessoa acusada, as famosas “marcas de bruxas”, e outras argumentações sem comprovação. Segundo a revista Mental Floss, isso era aceito com base “no fato de que o diabo e seus asseclas eram poderosos o suficiente para enviar seus espíritos, ou espectros, a pessoas puras e religiosas, a fim de desviá-los do caminho”.


3. Literatura

Se os líderes da Igreja Católica já usavam a lei a seu favor para poderem condenar pessoas de crimes de bruxaria, que sequer tinham cometido, não é muito surpreendente imaginar que uma vasta literatura foi escrita sobre o tema. O livro mais conhecido sobre o tema foi o Malleus Maleficarum, conhecido como Martelo das Bruxas.

Escrito pelo clérigo católico Heinrich Kramer, o documento era um guia de caça às bruxas e heresias afins. A ideia central da obra é o extermínio por si próprio: contando com análises legais e teológicas, o autor disserta sobre a importância da prática da tortura para que o acusado confesse. Em um momento, Kramer afirma também que mulheres têm tendência natural a se tronarem bruxas.


4. Confirmação do Papa

Ilustração fantasiosa do Julgamento de Salém / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para se ter ideia de como a caça às bruxas cresceu na sociedade, perpetuada pela Igreja Católica, até seu mais alto representante explicitou a ameaça das supostas feiticeiras para o mundo. Em 5 de dezembro de 1484, o Papa Inocêncio VIII emitiu a Summis Desiderantis Affectibus, uma bula papal sobre feitiçaria. 

O documento dizia que “muitas pessoas de ambos os sexos, sem se importar com sua própria salvação e abandonando a fé católica, se entregam aos demônios”, reconhecendo a existência de bruxaria. Afirmava-se ainda que “eles não temem cometer e perpetrar muitas outras ofensas e crimes abomináveis, com risco de suas próprias almas, para o insulto da majestade divina e para o pernicioso exemplo e escândalo de multidões”.


5. Leis na Inglaterra

A Inquisição atuou na perseguição contra a bruxaria principalmente entre os séculos 16 e 17. No entanto, sua inserção na sociedade foi tanta que, muito tempo depois, ainda existiam leis sobre bruxaria na Inglaterra. 

Aprovada pelo Parlamento do Reino da Grã-Bretanha em 1735, a conhecida Lei da Bruxaria tinha como propósito tornar crime qualquer pessoa que acusasse outra de praticar bruxaria. A lei tornou ilegal a prática de caça às bruxas. Ainda assim, ela só foi revogada em 22 de junho de 1951. A palavra “bruxaria” ficou muito tempo na legislação britânica.


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