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Há exatos 50 anos, Janis Joplin era encontrada morta após uma overdose

Dona de uma voz que impressionava, Joplin abalou o mundo da música ao partir de maneira trágica quando tinha apenas 27 anos

Pamela Malva Publicado em 04/10/2020, às 10h49

A icônica Janis Joplin na capa do álbum In Concert
A icônica Janis Joplin na capa do álbum In Concert - Divulgação

Durante os anos 1960, grande parte das aspirantes a cantoras desejavam ser Janis Joplin. Dona de uma voz insubstituível e de uma personalidade cativante, a artista conquistava a todos com seu talento.

Considerada a Rainha do Rock, Janis fez história em dois diferentes momentos de sua carreira. No primeiro deles, emocionou fãs como vocalista da Big Brother and the Holding Company e, depois, como artista solo, revolucionou o cenário musical.

Na Revista Rolling Stone, é citada como um dos 100 maiores artistas de todos os tempos. Cantora, compositora e multi-instrumentista, a jovem conquistou seu espaço no mundo dos holofotes e deixou o mundo todo de queixo caído.

Ao final de 1970, fez as manchetes internacionais mais uma vez, ao entrar para o Clube dos 27. Vítimas de uso excessivo de álcool e drogas, artistas como Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Amy Winehouse são considerados membros do grupo melancólico.

Janis com suas características mangas bufantes / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma artista nata

Nascida e criada na pequena cidade de Port Arthur, no Texas, Estados Unidos, Janis Lyn Joplin sempre amou os palcos. Filha de pais conservadores e religiosos, entretanto, as únicas letras que ela cantava eram as do coro da igreja.

Sem ter para onde fugir, Janis escutava seus artistas favoritos, verdadeiros expoentes do blues norte-americano, escondida dos pais. Em 1960, entrou para o curso de artes visuais na Universidade do Texas, onde passou a morar em uma república.

Uma vez apresentada ao universo dos shows e do rock, Janis lembrou das características que faziam Aretha Franklin e Billie Holiday singulares. Inspirando-se nelas, tornou-se um dos maiores ícones do rock psicodélico.

Entre quatro paredes, no entanto, a vida não era tão colorida quanto os casacos de pele que Janis usava. Acometida por depressão e bulimia desde a escola — onde sofreu bullying durante anos — a artista carregava a melancolia para onde fosse.

Janis como formanda no Ensino Médio, em meados de 1960 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma vida de tristezas

Quase no final da década de 1960, Janis estava no verdadeiro auge de sua carreira. Suas músicas estavam no topo das paradas, ela era desejada por diversas bandas e as coisas não poderiam estar melhores em sua vida profissional.

Toda sua sorte no mundo da música, no entanto, não aparecia em suas relações amorosas. Cercada por polêmicas, a artista viu seu relacionamento com David George Niehaus acabar, em 1970.

Na ocasião, o homem, que Janis conheceu em uma praia do litoral brasileiro, a flagrou com sua ex-namorada, Cassandra. Traído, David terminou o namoro e tratou de esquecer a artista norte-americana.

Sozinha, Janis entrou em uma depressão profunda e decidiu que não mais cederia aos seus vícios. Assim, separou-se de Cassandra, mulher que representava uma grande porta para o mundo das drogas e, principalmente, da heroína — o mais forte e duradouro vício da cantora.

Janis (sentada) ao lado da banda Big Brother and the Holding Company / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um fim de tentativas

Janis voltou a ter acompanhamento com especialistas, cuidou da saúde e começou a tomar metadona, um medicamento que a livrava da dependência da heroína. Assim, a cantora ficou por cerca de cinco meses fumando cigarros ou bebia ocasionalmente e de forma moderada.

Durante seu tempo de recuperação, evitou compromissos sérios, mas chegou a encontrar atores e cantores, como Jimi Hendrix. A recaída, todavia, veio em um hotel em Los Angeles, na Califórnia, onde Janis consumiu muita bebida e injetou doses altas de heroína em sua corrente sanguínea, em outubro de 1970. 

No dia seguinte, Janis faltou em uma gravação. Preocupado com seu desaparecimento, o empresário da artista foi até seu hotel. John Cooke arrombou a porta, apenas para encontrar a cantora morta, vítima de overdose de heroína e álcool aos 27 anos.

Na autópsia, foi descoberto que Janis já não tomava metadona há um mês. Enquanto isso, cicatrizes de seringas de heroína podiam ser vistas em seus braços, sugerindo que ela havia voltado a usar a droga há, pelo menos, três semanas.

O corpo da icônica cantora foi cremado e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico. Como especificado em seu testamento, amigos e familiares de Janis deram uma festa no dia de sua morte, homenageando o último desejo da Rainha do Rock.

++Entenda a teoria do Clube dos 27.


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