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Notícias / Violência

2023 é um dos anos mais violentos do mundo desde o fim da 2ª Guerra

Mortes ocorridas neste ano só foram menores que em 1950 (Guerra da Coreia) e 1994 (genocídio em Ruanda), aponta levantamento

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 27/12/2023, às 10h43

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Imagem ilustrativa - Domínio Público via Wikimedia Commons
Imagem ilustrativa - Domínio Público via Wikimedia Commons

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mundo vive o ano em que a violência se tornou mais disseminada no planeta — levando em consideração o número de conflitos, os incidentes causados por eles e as mortes relacionadas a esses eventos.

Dados recentes divulgados na Pesquisa de Conflitos Armados, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês) apontam que no ano de 2023 houve 14% mais mortes do que o ano passado; o que simboliza 267,7 mil perdas.

Este ano perde apenas para outros dois no período pós-Segunda Guerra: 1950, quando 550 mil pessoas morreram, muito em virtude do início da Guerra da Coreia; e 1994, com 800 mil perdas, muito decorrentes do genocídio dos tutsis em Ruanda

Já o índice de incidentes violentos ligados a embates foram ainda maiores. Um aumento de 28% em relação ao período anterior: 137,8 mil mortes. Vale ressaltar, porém, conforme levantado pela Folha, que os dados do IISS medem o período apenas entre maio de 2022 e junho de 2023, o que tira os acontecimentos do segundo semestre do ano, como o início da guerra entre Israel e Hamas — responsável por mais de 20 mil mortes em dois meses e meio. 

Do outro lado desta balança, o crescimento populacional do mundo só aumentou em cerca de 1% ao decorrer de 2023. Atualmente somos cerca de 8,1 bilhões de habitantes espalhados pelo mundo. 

Pensando desta forma, o ano de 2023 foi, proporcionalmente falando, menos brutal dos que os dois períodos citados, visto que a população mundial em 1950 era de apenas 2,5 bilhões de pessoas; contra 5,6 bilhões em 1994.

Os dados

Para criar suas estatísticas, o IISS usa a base de dados de centros reconhecidos internacionalmente: o Programa de Dados de Conflitos de Uppsala (UCDP) da Suécia, o Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (Acled) de uma ONG norte-americana e de órgãos como a Cruz Vermelha. 

Enquanto os dados da Acled apontam para as mortes exorbitantes nos períodos já citados, a UCDP revela outro dado assustador: o mundo nunca viu um número tão grande de conflitos desde que a entidade começou a registrá-los, em 1975. Só em 2023 foram 183 registros — o pico anterior foi 2016 com 176.

Além dos conflitos internacionais de grande repercussão, como a Invasão da Ucrânia, por exemplo, o IISS chama a atenção para conflitos com atores não-estatais, como grupos armados que controlam a vida de milhares de pessoas na África ou até mesmo o aumento do narcotráfico e do crime organizado em países como o Brasil — terceiro no ranking mundial de eventos violentos (10,6 mil) e sexto em mortes (8,3 mil). 

É de certa forma natural e esperado que conflitos como Ucrânia, Palestina e agora a ameaça de conflito entre Venezuela e Guiana ganhem uma grande atenção e gerem forte apreensão", aponta Bruno Langeani, gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, à Folha.

"Ao mesmo tempo, ofuscam as mortes por homicídios. Dentro destas mortes cotidianas, o Brasil é campeão com quase 50 mil por ano [aí somando a violência urbana regular]", finaliza, fazendo referência a um estudo publicado este ano pelas Nações Unidas que mostram que as mortes desta natureza são 5 maiores que as registradas em guerras e 20 vezes as causadas por atentados terroristas. 

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