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Alta comissária de Direitos Humanos da ONU diz ter relatórios sobre execuções do Talibã

Michele Bachelet discursou para o Conselho de Direitos Humanos e deu ênfase na “linha vermelha” do tratamento dado às mulheres pelo grupo

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 24/08/2021, às 12h08

Combatentes do Talibã no palácio presidencial em Cabul
Combatentes do Talibã no palácio presidencial em Cabul - Divulgação/YouTube/Al Jazeera

Michelle Bachelet, alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que recebeu relatórios confiáveis sobre graves violações cometidas pelo Talibã no Afeganistão, nesta terça-feira, 24.

Ela diz que os documentos incluem execuções sumárias de civis e de forças de segurança afegãs que se renderam, segundo o portal de notícias G1.

Em seu discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, Bachelet não deu detalhes sobre os assassinatos, mas apelou para que o grupo faça um mecanismo para monitorar as ações do Talibã. O Conselho está realizando uma sessão de emergência sobre a situação do Afeganistão.

Michelle Bachelet em 2017 /Crédito: Getty Images

 

Além disso, a Chefe de Direitos Humanos afirmou que o tratamento dado às mulheres pelo Talibã será uma “linha vermelha” para o grupo fundamentalista.

Nesta terça-feira, líderes dos países que compõem o G7 – Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha, França, Japão e Canadá - se reúnem virtualmente para debater a crise do Afeganistão.

Caos no Afeganistão

Após a tomada do palácio presidencial, localizado em Cabul, no último domingo 15, o grupo extremista Talibã retomou oficialmente o poder do Afeganistão, após 20 anos.

O episódio foi favorecido pela retirada das tropas norte-americanas através de um acordo de paz iniciado no governo Trump e concretizado na era Biden.

Diante da volta do grupo radical, inúmero afegãos começaram a fugir do país. Na última segunda-feira, 16, vídeos revelaram inúmeras pessoas se amontoando no aeroporto de Cabul na tentativa de escapar do país e do retrocesso que a volta do Talibã representa.

Até mesmo a aérea externa de uma aeronave foi utilizada em um ato desesperado de deixar o país. Embora o grupo afirme que não está em busca de confusão, recentes episódios contradizem isso.

"Vamos permitir que as mulheres trabalhem e estudem dentro de nossas estruturas. As mulheres serão muito ativas em nossa sociedade, dentro de nossa estrutura”, disse Zabihullah Mujahid, o representante do Talibã.

“Queremos assegurar que o Afeganistão não seja mais um campo de batalha. Perdoamos todos aqueles que lutaram contra nós, as animosidades acabaram. Não queremos inimigos externos nem internos", disse ele. 

Não só um protesto foi reprimido com tiros na última quinta-feira, 18, mas também jornalistas têm acusado o grupo de perseguições. Um familiar de um jornalista do canal público de televisão alemão Deutsche Welle (DW) fora executado pelo grupo.

"O assassinato de um parente de um de nossos editores pelos talibãs ontem [quinta-feira] é incrivelmente trágico e ilustra o grave perigo em que se encontram todos os nossos funcionários e suas famílias no Afeganistão", disse o diretor geral da DW, Peter Limbourg, em comunicado divulgado na última sexta-feira, 20.