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Há 33 anos, o brutal ataque químico de Halabja matava 5.000 pessoas

Ordenado pela comissão de Saddam Hussein, o trágico despejo de gás foi responsável por matar milhares de civis no Iraque

Wallacy Ferrari Publicado em 16/03/2021, às 12h20

Milhares de túmulos de vitimas em Halabja
Milhares de túmulos de vitimas em Halabja - Getty Images

Em 16 de março de 1988, a cidade curda de Halabja se tornava palco de um dos piores genocídios da história; localizada no Curdistão iraquiano, a demonstração de força do regime de Saddam Hussein tinha como força maior o teste e execução de uma parcela da população com uma potente arma química.

Com o auxílio de 20 aeronaves — supostamente jatos Mig e Mirage, como informa a BBC — foram responsáveis por lançar bombas de gás venenoso por volta das 11h00 da manhã no horário local. Os gases armazenavam os agentes nervosos sarin, tabun, VX, mostarda e cianeto, causando uma resistência quase impossível ao organismo humano.

O resultado da sexta-feira sangrenta foi uma estimativa de 3,2 a 5 mil vítimas fatais, além de ferir mais de 10 mil pessoas. Apesar da justificativa de atingir soldados que defendiam o Irã, a maioria das vítimas foram civis.

O episódio acabou espalhando corpos de famílias por casas e ruas do município, se tornando o maior ataque da história que usou armas químicas contra uma área povoada, como apontou a Federação de Cientistas Americanos.

Manchete anuncia nuvem química que matou população de Halabja em 1988 / Crédito: Divulgação/ YouTube/VEJA

 

Dor e sofrimento

De acordo com relato de tertemunhas, as nuvens eclodiram na cor branca, escurecendo ainda no ar e, por fim, ficando amareladas em uma altura de aproximadamente 46 metros.

Alguns dos relatos coletados pela BBC estimam que 75% das vítimas era crianças e mulheres, além de relatarem desenvolvimentos de problemas oculares e respiratórios após o despejo dos materiais químicos.

O incidente foi considerado genocídio pelo Alto Tribunal Penal iraquiano, além de receber a condenação de crime contra a humanidade pelo Parlamento do Canadá. Com isso, o episódio foi um marco para o encerramento da Guerra Irã-Iraque — inicialmente tendo o ataque atribuído ao rival do país iraquiano, o que foi desmentido durante a investigação.

As evidências apontaram que a presença do exército iraniano e de forças curdas pró-Irã eram observadas pelos militares do Iraque, visto que Halabja fica a cerca de 15 quilômetros da fronteira do rival. Mesmo assim, o aval do ataque partiu do deputado Ali Hassan al-Majid, apelidado de "Chemical Ali” (“Ali Químico”, em tradução livre).

Memorial de Halabja montado 16 anos após a tragédia, em 2004 / Crédito: Getty Images

 

Legado da morte

Após a descoberta da ordem, Ali passou a ser réu de um julgamento junto a seis outros membros da operação, sendo capturado em 21 de agosto de 2006 e, nos quatro anos seguintes, julgado e condenado a morte, sendo enforcado em 25 de janeiro de 2010. Saddam seria o sétimo co-réu, mas teve as acusações retiradas durante sua execução na forca em 30 de dezembro de 2006.

Em reportagem da Istoé, a reconstituição da civilização no local ocorre em ritmo lento pelos traumas deixados no episódio, conforme exemplificado com o curdo iraquiano Kamal Jalal; na época com 17 anos, ele conseguiu sobreviver ao ataque, mas sofre com sequelas respiratórias e visuais, usando respiradores artificiais por 16 horas diárias. Até o fechamento desta reportagem, as últimas informações sobre Kamal são de 2018.

Além dos traumas físicos, o rapaz perdeu as duas irmãs no ataque, mas conseguiu seguir outros moradores em rota de fuga para montanhas ao nordeste do país. Por fim, Kamal não havia recebido nenhum amparo indenizatório para custear os danos, 30 anos após o episódio.


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