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Em discurso, Bolsonaro omite repressão do Golpe: ‘Todos aqui tinham direitos’

Presidente também aproveitou o momento para atacar indiretamente ministros do STF: “Cale a boca! Bota a tua toga e fica aí sem encher o saco dos outros!”

Fabio Previdelli Publicado em 31/03/2022, às 14h58

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil - Getty Images

Durante discurso no Palácio do Planalto, realizado na tarde de hoje, 31, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou a data em que o Golpe Militar de 1964 completa 58 anos para exaltar os militares que estiveram à frente do país durante o período — que durou 21 anos. 

Negando a História, Bolsonaro começou seu discurso afirmando que não houve Golpe: "Hoje, 31 de março. O que aconteceu em 31? Nada. A história não registra nenhum presidente da República tendo perdido o seu mandato nesse dia. Por que então a mentira? A quem ela se presta?".

Ignorando a violência que os militares impuseram na época (como a perseguição, tortura e morte de opositores), além da cassação de direitos individuais, o mandatário brasileiro alegou que, durante o período, todos tinham o direito de ir e vir. 

Segundo aponta o G1, durante a fala, Bolsonaro aproveitou o contexto para falar sobre a situação de Daniel Silveira (PSL-RJ), que responde processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por ter participado de atos antidemocráticos e ataques às instituições.

Vale ressaltar que o ministro do STF, Alexandre Moraes, determinou que o parlamentar bolsonarista usasse uma tornozeleira eletrônica, algo que ainda não foi concretizado. 

"Todos aqui tinham direito, deputado Daniel Silveira, de ir e vir, de sair do Brasil, de trabalhar, de constituir família, de estudar, como muitos aqui estudaram naquela época", declarou o presidente.

Quem esteve no governo naquela época fez a sua parte. O que seria do Brasil sem obras do governo militar? Não seria nada, seríamos uma republiqueta”, prosseguiu. 

O presidente também aproveitou o momento para voltar a fazer ataques indiretos aos ministros do STF. Sem citá-los nominalmente, foi enfático ao dizer que há “poucos inimigos” no Brasil e que eles “habitam a região dos Três Poderes [onde fica localizado o Palácio do Planalto, Congresso e STF]”. 

Temos inimigos, sim. São poucos inimigos de todos nós aqui no Brasil, poucos, e habitam essa região dos três poderes. Esses poucos podem muito, mas não podem tudo", disse.

"Nós aqui temos tudo para sermos uma grande nação, para sermos exemplo para o mundo. O que que falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideias, cale a boca! Bota a tua toga e fica aí sem encher o saco dos outros! Como atrapalham o Brasil!”, completou.