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"Enlaçou a perna dele na minha embaixo da mesa": o primeiro encontro de Dom Pedro I e Leopoldina

Apesar dos rumores dizerem que foi um encontro trágico, carta de Leopoldina diz o contrário

Giovanna de Matteo Publicado em 26/09/2020, às 08h00

Pintura de Dom Pedro I, de Portugal, e Leopoldina, da Áustria
Pintura de Dom Pedro I, de Portugal, e Leopoldina, da Áustria - Divulgação

O casamento de Leopoldina com o príncipe herdeiro do Brasil pode ser visto também como uma estratégia da Áustria para fazer concorrência à outra grande potência europeia vencedora de Napoleão, a Grã-Bretanha.

Um plano que, naturalmente, beneficiava a parte luso-brasileira, já que essa aliança político-matrimonial lhe dava a possibilidade de equilibrar o peso que os britânicos exerciam sobre a soberania (e o comércio) do novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves – um ente bicontinental criado no final de 1815, depois de uma sugestão feita, não por acaso, durante o Congresso de Viena, durante o qual as potências vencedoras de Napoleão dividiriam a influência sobre as menores.

Em de abril de 1817 a arquiduquesa da Áustria Maria Leopoldina chegaria no Rio de Janeiro após longa viagem pelos mares para o seu primeiro encontro com o mais novo marido, Pedro de Bragança, com quem casara por procuração.

Apesar de a noiva estar ansiosa e sentindo-se intensamente apaixonada pelo marido, o homem, que mais tarde seria reconhecido como Dom Pedro I, não tinha o mesmo entusiasmo, diz-se o senso comum.

Quase uma hora depois de embarcar no Brasil, Leopoldina foi recebida pela família real com presentes de boas-vindas. “O rei apresentou à arquiduquesa o esposo, seu filho, que lhe entregou o presente de noivado, sendo uma caixa de ouro cheia de ricos brilhantes lapidados. Ao entregar o presente, o rei disse à arquiduquesa, sua nora: ‘são frutos da terra. Vossa Alteza vem para o país das pedras preciosas”, conta a descrição do encontro feita pelo cronista Mello Moraes.

Ainda segundo o autor, se diz que a moça ficou muito emocionada com toda cerimônia de recepção que lhe foi atribuída. “Anjos de bondade, especialmente meu querido Pedro, que além de tudo é muito culto”, indagou Leopoldina sobre a família real brasileira.

Família imperial brasileira recebe Leopoldina / Wikimedia Commons

 

Leopoldina descendia de uma das realezas mais gloriosas da Europa e seu casamento, que ocorreu no dia 13 de maio daquele mesmo ano, teria sido uma vitória da diplomacia portuguesa.

Cartas da mulher descrevem o primeiro encontro com certa sedução: "Conduziu-me ao salão de jantar, puxou a cadeira e, enquanto comíamos, piscou-me o olho e enlaçou a perna dele na minha embaixo da mesa."

Todavia, o conto de fadas não durou para sempre. Dom Pedro, que tinha fama de mulherengo, não sossegou após o casamento. Assim, desabafava sobre Dom Pedro I com sua irmã, Maria Luiza da Áustria, em uma série de correspondências.

Algumas das foram recuperadas por um colecionador do Brasil em um leilão europeu. Elas mostram que a imperatriz reclamava da atitude do monarca para com os filhos dela. 

Segundo escreveu Leopoldina,Dom Pedro I ensinava ao filho todas as desobediências possíveis. E a dama ainda criticava o comportamento do cônjuge não só como pai, mas de modo geral.

“O caráter do meu marido é extremamente exaltado por causa do tratamento contraditório, duro e injusto em relação a todas as mudanças, de modo que tudo que denote levemente liberdade lhe é odioso. Assim só posso continuar observado e chorando em silêncio”, lamentou a austríaca.

Por outro lado, outra carta de Leopoldina revela a astúcia política da imperatriz na hora de convencer Dom Pedro I. Na ocasião em que a escreveu, ela tinha já liderado uma reunião do Conselho de Ministros e assinado o decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal. Só faltava a formalização do marido para que a emancipação fosse oficial. 

Logo, em uma carta que chegou para Dom Pedro I, no emblemático dia 7 de setembro de 1822, ela diz que o país o queria como monarca e que a independência já era inevitável.  “Pedro,o Brasil está como um vulcão. Até no paço há revolucionários. Até oficiais das tropas são revolucionários. As Cortes Portuguesas ordenam vossa partida imediata, ameaçam-vos e humilham-vos. O Conselho de Estado aconselha-vos para ficar", escreveu.

Comparando, a seguir, o território brasileiro independente com um pomo maduro, que está prestes a ser colhido — senão apodrece — a imperatriz também redigiu: "Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele [o Brasil] fará a sua separação", argumentou.

O final dessa história? Da maneira mais trágica possível. Leopoldina, infelizmente, não conseguiu escapar da tristeza causada pelas traições do marido. A morte ocorreu em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos de idade, por conta da evolução de um quadro infeccioso. A sua morte comoveu toda uma nação, que se preocupou com a saúde da imperatriz até seus momentos finais. 


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