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“Excelente instrutor”, diz general Eduardo Villas Bôas sobre coronel acusado de tortura na ditadura

Fala foi registrada em livro-depoimento do general que foi lançado recentemente. Confira!

Fabio Previdelli Publicado em 20/02/2021, às 09h29

O general Eduardo Villas Bôas
O general Eduardo Villas Bôas - Wikimedia Commons

Recentemente, um livro-depoimento do general Eduardo Villas Bôas foi publicado. Porém, a obra vem ganhando repercussão por conta de polêmicas declarações dadas por Villas Bôas.

Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, por exemplo, o general se refere a um oficial do Exército, que é acusado de crimes durante a ditadura militar, como um dos “excelentes instrutores" que teve na época em que cursou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). 

O militar elogiado por Villas Bôas é Rubens Bizerril, que hoje é coronel da reserva. Seu nome aparece em relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014, que aponta que Bizerril foi um dos envolvidos na tortura e execução de um estudante secundarista no estado de Goiás. O coronel da reserva se defendeu da acusação em depoimento prestado à Folha. “Nunca encostei a mão em ninguém”. 

Histórico da afirmação

A menção ao coronel, que na época era comandante do Exército, ocorreu quando Villas Boas falava sobre os oficiais que atuavam na EsPCEx no final da década de 1960, período que cursou na unidade de Campinas.  

“Encontrei excelentes instrutores, como o capitão Bizerril e o tenente Garlipp, respectivamente, meus comandantes de companhia e de pelotão”, disse. “Em relação aos oficiais da escola, eu era tratado com rigor, mas nada que extrapolasse a normalidade ou que eu não merecesse”. 

Segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade, Eduardo Bizerril foi um dos envolvidos na tortura e assassinato do estudante Ismael Silva de Jesus, em 1972, no 10º Batalhão de Caçadores de Goiânia.  

“Em suas dependências, na ditadura militar, foram praticadas graves violações de direitos humanos. Ismael Silva de Jesus, preso em 8 de agosto de 1972 e levado para o então 10º Batalhão de Caçadores (10º BC) de Goiás, morreu no dia seguinte, como consequência da tortura que sofrera”, diz o documento. “Seu corpo foi entregue à família com evidentes sinais de tortura — tinha as orelhas machucadas e o olho direito estava vazado.” 

Naquela época, Bizerril era major da 3ª Brigada de Infantaria. O relatório diz que ele foi o encarregado por conduzir um inquérito para apurar possíveis atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Goiás.