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Foto tirada pela ISS mostra show de luzes espetaculares ao redor da Terra

Fenômenos ajudam cientistas a entenderem como nossa atmosfera afeta o clima no espaço e como o clima espacial nos afeta

Fabio Previdelli Publicado em 17/08/2020, às 13h53

Imagem tirada pela ISS que mostra uma aurora e um brilho aéreo
Imagem tirada pela ISS que mostra uma aurora e um brilho aéreo - Divulgação ISS

Uma foto tirada da Estação Espacial Internacional (ISS) no último dia 16 de março, durante a Expedição 62, que ocorreu quando a ISS sobrevoava a ponta sul da península do Alasca, capturou dois fenômenos atmosféricos espetaculares ao redor da Terra em um única foto: uma aurora brilhante e um brilho aéreo contornando o nosso planeta.

Ambos os fenômenos são causados por partículas na atmosfera superior da Terra interagindo e liberando luz. Na curva verde à esquerda é possível observar uma aurora, que é criada quando partículas carregadas do vento solar penetram no escudo magnético da Terra e colidem com átomos e moléculas como oxigênio e hidrogênio na cama de ar que envolve o planeta, produzindo rajadas de luz.

Os átomos de oxigênio na atmosfera superior liberam esse excesso de energia como um brilho vermelho, enquanto o oxigênio e o nitrogênio em altitudes mais baixas produzem o brilho verde mais familiar.

Já a faixa laranja seguindo a curvatura da Terra é o brilho do ar, que, ao contrário de uma aurora, geralmente é muito fraca para ser vista do solo e é melhor observada da órbita de nosso planeta.

Chamado de Airglow, o fenômeno é o “brilho” natural da atmosfera da Terra à medida que a luz solar interage com as moléculas na camada de ar que envolve o planeta. Essas luzes coloridas refletem as mudanças na ionosfera, a parte ionizada da atmosfera superior da Terra a cerca de 80 a 650 quilômetros acima da superfície.

Já o Nightglow, o airglow que brilha mais forte em verde, ocorre entre 90 e 100 quilômetros acima da superfície, enquanto o vermelho-laranja mais fraco visto aqui ocorre devido aos átomos de oxigênio em um estado de energia mais baixo, onde as colisões são tão raras que os átomos têm mais tempo para irradiar sua energia.

“Cada gás atmosférico tem sua própria cor de airglow preferida, dependendo do gás, da região da altitude e do processo de excitação, então você pode usar o airglow para estudar diferentes camadas da atmosfera”, explica Doug Rowland, astrofísico do Goddard Space Flight Center da NASA.

Cada tipo de airglow contém informações sobre a composição, densidade e temperatura da atmosfera superior, então os cientistas usam como um proxy para entender como as partículas se movem através da ionosfera e que tipo de partículas existem lá, o que é fundamental para nos ajudar a entender como Terra e clima espacial se interconectam. Airglow contém pistas de como nossa atmosfera afeta o clima no espaço e como o clima espacial nos afeta.