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Geleiras estão derretendo cada vez mais rápido, alertam cientistas

Em uma análise inédita de quase todas as geleiras do mundo, os pesquisadores constataram índices alarmantes de degelo

Pamela Malva Publicado em 29/04/2021, às 18h00 - Atualizado às 18h11

Imagem ilustrativa do derretimento de gelo no Ártico
Imagem ilustrativa do derretimento de gelo no Ártico - Divulgação/PxHere

Pela primeira vez, cientistas reuniram dados sobre praticamente todas as geleiras do mundo para verificar o índice de derretimento no planeta. Os resultados da pesquisa publicada na última quarta-feira, 28, na revista Nature, todavia, não são positivos.

Segundo os cientistas envolvidos no estudo, as geleiras estão diminuindo rapidamente e, nos últimos 20 anos, a taxa de degelo só tem aumentado. Nesse sentido, além do derretimento causado pelas altas temperaturas, as massas de gelo também têm pedido volume por conta da sublimação e da quebra de suas bordas.

Com a ajuda de satélites, que acompanharam a elevação no nível da água dos mares, os cientistas observaram 217.175 geleiras. Além das imagens, eles ainda utilizaram um arquivo com 20 anos de registros do Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER) que trouxe dados bastante precisos.

Com todas as informações em mãos, os pesquisadores descobriram que, entre 2000 e 2019, as geleiras espalhadas pelo mundo perderam um total de 293,7 bilhões de toneladas de suas massas, o que aumentou o nível do mar em cerca de 21%.

Imagem que revela o constante degelo no Ártico / Crédito: Divulgação/NASA

 

“O problema com as geleiras é que não estamos apenas perdendo gelo, também estamos perdendo firn”, explicou Romain Hugonnet, o principal autor do estudo e estudante de doutorado na Universidade de Toulouse na França e do Laboratório de Hidráulica, Hidrologia e Glaciologia (VAW) na ETH Zürich na Suíça.

‘Firn’, de acordo com o estudioso, é uma espécie de neve compactada que pode ser encontrada no topo das geleiras — e sua perda é tão alarmante quanto o derretimento de grandes massas de gelo, que são bastante comuns no Ártico.

Por fim, a equipe de Hugonnet ainda percebeu que nem todas as geleiras do planeta derreteram da igualmente. Enquanto algumas regiões perdiam gelo rapidamente, outras demoravam um pouco mais para registrar o tão temido degelo.

"O que foi ainda mais interessante, e um pouco surpreendente, foi ver que algumas regiões desaceleraram e outras aceleraram", revelou Hugonnet. Dessa forma, ficou claro que as condições climáticas de cada região também fazem muita diferença no derretimento das geleiras, o que surpreendeu os cientistas.