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Humanos contaram com ajuda de cães de trenó para se espalharem pelo Ártico

Um novo estudo revela que a domesticação de cachorros aconteceu muito antes do que se pensava

Isabela Barreiros Publicado em 29/06/2020, às 13h40

Imagem ilustrativa de cães de trenó
Imagem ilustrativa de cães de trenó - Ajarvarlamov/Wikimedia Commons

Uma nova pesquisa publicada na revista científica Sciente estudou a relação entre homens e cães de trenó durante a transição do período Pleistoceno ao Holoceno, há mais ou menos 10 mil anos. A maior conclusão tirada pelos pesquisadores é que esses animais foram responsáveis por ajudar os seres humanos que tentavam sobreviver no frio do Ártico.

Hoje, conhecemos os cães de trenó em raças como huskies do Alasca e da Sibéria, malamutes do Alasca e cães da Groenlândia. Comparando o DNA de 134 desses cachorros modernos com o genoma dos restos arqueológicos de um animal descoberto na ilha Zhokhov, próxima ao Círculo Polar Ártico, na Sibéria Oriental. O cão viveu há cerca de 9.500 anos.

Essa análise permitiu que os especialistas descobrissem que essas os cães modernos e antigos possuem os mesmos genes, o que confirma a tese de que esses animais foram muito importantes para a adaptação do ser humano enquanto ele se espalhava pelo Ártico. Segundo Robert Losey, arqueólogo da Universidade de Alberta, “esses cães se adaptaram a viver com pessoas no Ártico, nesses ambientes frios, bem cedo”,

"Ser capaz de mover grandes quantidades de material, caças e alimentos por grandes espaços em terrenos tão difíceis teria sido uma grande vantagem. Pode ter sido fundamental para os seres humanos estabelecerem o Ártico” explicou o principal autor do artigo, Shyam Gopalakrishnan, geneticista da Universidade de Copenhague.

Os pesquisadores também chegaram à conclusão de que a domesticação do homem sobre esses animais aconteceu há cerca de 35 mil anos atrás, muito antes do que se pensava. "Os cães já tinham populações diferentes 10 mil anos atrás, e alguém poderia imaginar que a domesticação aconteceu bastante tempo antes disso. A ideia original de 10 mil a 15 mil anos para domesticação simplesmente não se sustenta”, disse Gopalakrishnan.